GUINÉ-BISSAU
visitas às tabancas
de são domingos.
São Domingos, Inês Dias
A
Helpo está desde janeiro de
2017 na Guiné-Bissau, numa
Área de Saúde chamada São
Domingos, a norte do país, perto da
fronteira com o Senegal.
Todos os dias acompanhamos as ativi-
dades do Centro Materno Infantil, onde
são prestados cuidados de saúde pre-
ventivos às grávidas e crianças até aos
5 anos. O principal objetivo do projeto
é contribuir para a diminuição da mor-
talidade materno infantil na Guiné-Bis-
sau, através da melhoria da qualidade
dos serviços de saúde, dando especial
ênfase às questões relacionadas com a
alimentação e a nutrição.
A estratégia de saúde da Guiné-Bissau
prevê a visita mensal a todas as comu-
nidades dentro da Área de Saúde. Esta
visita, que leva à comunidade os cuida-
dos mínimos preventivos destinados às
mulheres e crianças, entre eles a avalia-
ção do estado nutricional, a vacinação
e a educação para a saúde, é realizada
por um enfermeiro, que se desloca à
comunidade de mota.
A falta de recursos humanos dos Cen-
tros de Saúde e a dimensão da Área de
Saúde torna difícil chegar a todas as ta-
bancas todos os meses e a inconstância
na prestação do serviço ao longo dos
tempos levou à falta de participação da
população.
O mês de outubro chegou e, com ele,
um grande desafio: visitar todas as ta-
bancas (comunidades) da Área de Saú-
de de São Domingos com uma equipa
alargada composta por técnicos de saú-
de e estagiários de enfermagem, pelas
mulheres da associação parceira na im-
plementação deste projeto, Associação
Embo buer e pelos Agentes de Saúde
Comunitária (ASC), que têm um papel
fundamental nesta atividade: mobilizar a
população.
Neste período, visitaremos no total 23
tabancas, serão prestados não só os cui-
dados de saúde previstos, mas será ain-
da realizada uma grande sensibilização
comunitária sobre aleitamento materno
e alimentação da criança, com a prepa-
ração de papinhas utilizando alimentos
produzidos pelas famílias.
Apesar da maior parte das famílias viver
da agricultura e produzir vários alimen-
tos que podem ser utilizados para pre-
parar refeições para as crianças, grande
parte destes alimentos são vendidos para
comprar farinhas de papa industriais,
bolachas e iogurtes carregados de açú-
car, sem que haja qualquer diversidade
alimentar.
Na Guiné-Bissau existem vários costumes
que prejudicam a qualidade da alimenta-
ção da criança. O mais comum é que as
crianças não devem comer carne, nem
peixe, porque se se habituarem quando
chegarem a casa de alguém vão pedir, o
que é considerado uma vergonha para
a família. Isto leva a que essa parte da
refeição não seja oferecida aos mais
pequenos, que são quem mais preci-
sa dela e que muitas crianças sejam
alimentadas só com arroz e molho da
preparação do peixe ou carne. Em al-
guns casos, só uma vez por dia.
Apesar das famílias criarem animais
(galinhas, porcos, cabras e vacas), es-
tes são vendidos e raramente con-
sumidos pelo próprio produtor. A
inexistência de controlo sanitário leva,
ainda, a que muitos animais morram.
Durante a sua apresentação, as mulhe-
res de Associação Embo buer explicam
os cuidados de higiene a ter na pre-
paração das refeições, que alimentos
devem as mães escolher para criar
refeições completas, que consistência
devem ter as papas e quantas vezes ao
dia devem as crianças comer.
Destacam, ainda, a existência de vários
tipos de alimentos: alimentos cons-
trutores (ricos em proteína), alimen-