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A relação da empresa com as cooperati- vas é feita por meio da parceria com a Boo- mera, startup especializada em desenvolver soluções tecnológicas para viabilizar a recicla- gem de resíduos mais complexos, como fral- das descartáveis e cápsulas de café expresso. Com escritório em São Paulo (SP) e fábrica em Cambé (PR), a Boomera trabalha com uma rede de 200 cooperativas de coleta de resíduos sólidos distribuídas por 17 Estados do Brasil, inclusive doando equipamentos como prensas e esteiras e os de proteção individual (EPI). No caso da parceria com a Ibema, são identificadas as cooperativas que podem ofe- recer o material apropriado. “A Boomera veio para nos ajudar a estruturar a rede de coope- rativas e treinar as equipes que vão separar as aparas de papelcartão”, explica Fabiana, que destaca a importância das cooperativas para o sucesso do novo projeto. “É só por meio de- las que conseguiremos captar matéria-prima de qualidade, assegurando a performance do produto e a rastreabilidade que os clientes querem.” Do lado dos catadores, o impacto positivo é o incentivo às cooperativas, geran- do mais oportunidades de trabalho e de obte- rem melhor remuneração. LOGÍSTICA REVERSA Outro exemplo de como indústrias e coo- perativas de catadores podem trabalhar em conjunto vem do norte do Paraná. Criado em 2016, a partir de uma parceria com os gover- nos estadual e municipal, o Ilog (Instituto de Logística Reversa) implantou duas Centrais de Valorização de Materiais Recicláveis, uma em Maringá e outra em Londrina, que envol- veram investimentos de R$ 3 milhões. O re- torno também pode ser medido em números: já foram processadas mais de 3,36 mil tone- ladas de materiais (vidro, papelão, embala- gens longa vida, papel branco, papel misto e embalagens pet) que retornaram às indústrias como matéria-prima. Em Londrina, o projeto conta com a participação da ABIHPEC (Asso- ciação Brasileira da Indústria de Higiene Pes- soal, Perfumaria e Cosméticos). Segundo Nilo Cini Jr., diretor e um dos fundadores do Ilog, mais três unidades des- sas centrais, chamadas de CVMR, devem ser implantadas até o ano que vem. Todas em cidades paranaenses: Curitiba, Céu Azul (em parceria com a Itaipu) e Colombo. “Por meio de nossos associados – mais de 300 empresas, que contribuem financeiramente –, apoiamos as centrais, inclusive para a elaboração de pla- no de investimento”, diz Cini. “A ideia é man- ter o acompanhamento pelo prazo de 12 ou 18 meses, mas depois devem caminhar sozinhas. Até porque as centrais são responsáveis pela sustentabilidade financeira das cooperativas primárias, que envolvem os catadores.” A divisão de parte dos lucros entre os asso- ciados, tanto das centrais quando das coope- rativas primárias, é uma forma de estimular todo o sistema. Essa verba também é desti- nada aos investimentos no próprio negócio. O modelo tem atraído novos participantes, que passam por um processo de avaliação antes de ingressarem. “Fazemos uma visita de vistoria técnica das cooperativas para que possam participar. É apenas um diagnóstico para sabermos se há condições, mas não se- gregamos”, comenta Cini. “Até hoje, todas as cooperativas que quiseram participar foram bem recebidas. E tem mercado para o mate- rial coletado”, acrescenta o diretor do Ilog. Entre os benefícios do projeto para o de- senvolvimento social, Cini destaca a geração de empregos nos municípios de atuação do Ilog e das centrais, inclusive estimulando o associativismo e o cooperativismo. “Além da contribuição para a construção de uma socie- dade sustentável, esse trabalho também ajuda a melhorar a renda de dezenas de famílias de catadores cooperados, que são fundamentais no processo de separação e triagem das em- balagens, agregando valor na comercialização desse material”, avalia o executivo. FABIANA STASCHOWER, DA IBEMA: é só por meio das cooperativas que conseguiremos captar matéria-prima de qualidade MUNDOCOOP 43