CAPA
RAFAELA
POGREBINSCHI,
DA PEPSICO BRASIL:
valorizamos o que torna cada
indivíduo único, essa cultura
nos torna mais fortes,
diversos e criativos
Até por uma questão biológica, a única
maneira de colocar as mulheres em condi-
ção de igualdade para concorrer com os ho-
mens na escalada da realização profissional
é ajustando o sistema – as leis e o ambiente
de trabalho. Mais do que isso, trazer equi-
líbrio a este cenário é essencial para con-
seguirem se manter no mercado. Para se
ter ideia, uma pesquisa realizada pela FGV
EPGE (Escola Brasileira de Economia e Fi-
nanças da Fundação Getúlio Vargas) com
274.455 mulheres, com idade entre 25 e 35
anos, mostrou que metade delas estava sem
trabalho após 12 meses do afastamento pela
maternidade. O estudo, baseado em dados
do Ministério do Trabalho, foi feito com
profissionais que tiraram licença-materni-
dade entre os anos de 2009 e 2012.
DISPARIDADES DE GÊNEROS NO TRABALHO
73%
Mulheres que trabalham dedicam
mais horas aos cuidados
e/ou afazeres domésticos do que os homens
25 e 44 anos
Número de mulheres com idade entre
que completaram o ensino superior é 37,9% maior que o de homens
39,1%
Mulheres ocupam
dos cargos gerenciais (públicos
ou privados), enquanto que os homens estão em 60,9%
R$ 1.764 ,
Rendimento médio mensal das mulheres é de
equivalente a ¾ do recebido pelos homens, de R$ 2.306
Fonte: IBGE – Estatísticas de gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil (2016)
e PNAD C (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua)
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Quando o período de garantia do empre-
go termina, após o quinto mês do início da
licença, os riscos de perder o posto de traba-
lho vão aumentando conforme o tempo pas-
sa. De acordo com o levantamento da FGV,
5% das mulheres deixam o emprego assim
que passam dessa etapa. No sexto mês, já são
15% desempregadas. Depois dos 12 meses o
índice chega a 48%. Vale dizer que nem sem-
pre essa saída é definida pelo empregador,
pois em muitos casos as mulheres deixam o
emprego por não terem com quem deixar os
filhos pequenos.
O nível de escolaridade também pesa na
definição dos afastamentos. Dados da pes-
quisa mostraram que, passados os 12 meses
do início da licença-maternidade, as mulhe-
res com escolaridade acima do ensino mé-
dio representaram 35% das que deixaram
o emprego. O grupo que tinha até o ensino
médio completo era 49%, as que tinham até
o ensino fundamental completo eram 53% e
as que ainda não haviam completado nem o
fundamental, respondiam por 51%.
NOVA OPORTUNIDADE
As diversas manifestações ao redor do
mundo cobrando um ambiente igualitário,
tanto em relação às condições e oportuni-
dades de trabalho quanto à remuneração,
têm levado várias empresas a promoverem
significativas mudanças e adequações em
seus procedimentos. E a criarem iniciativas
condizentes com um mercado de trabalho
mais justo. É o caso da PepsiCo, que no ano
passado lançou o programa global “Ready to
Return”, destinado a profissionais experien-
tes que interromperam a carreira por um
período maior que dois anos para se dedicar
aos filhos, acompanhar os cônjuges em mu-
danças de cidade ou país, ou em decorrência
de problemas de saúde e até mesmo da reali-
zação de projetos pessoais, inclusive a pausa
para um período sabático.
As candidatas selecionadas para o pro-
grama permanecem dez semanas na compa-
nhia, com direito ao salário e aos benefícios
do cargo ocupado. Durante esse período,
trabalham em projetos relacionados a suas
áreas de conhecimento e experiência, com
garantia a mentoria, treinamentos e imer-
sões para atualização e capacitação. Nos Es-
tados Unidos, onde o programa começou,