CAPA
“Era 1986 e nos meus nove aninhos, frequentava a escola dominical da igreja
presbiteriana da Casa Verde, zona norte de Sampa. Não vou tentar te evangelizar, mas algo muito interessante aconteceu naquele domingo. Reverendo Eliel
trazia consigo um amigo. Inanimado? Muito animado. Infelizmente não me lembro do nome do boneco. Mas me lembro muito bem da sensação que eu tive ao
ver aquele brinquedo que falava. Era estranho, instigante, mágico. Ficaria para
sempre aquela sensação, e olha que sou um cara desligado, não costumo ter
uma boa memória. Foi marcante.
Flash forward de muitos anos e hoje quero causar essa sensação nas pessoas
que me assistem com meus amigos (in)animados. Comecei a rodar o Brasil fazendo standup comedy. Ter participado do CQC meio que me obrigava a isso,
não que fosse lá uma obrigação sem prazer, muito pelo contrário, me encontrei
e me deleitei com anedotas e piadas que eu gostaria de ouvir, ora bobas, ora
mais bobas ainda com os trocadilhos que eu gostaria de ouvir. Sempre fugindo
do pavê e comê, ou esse ou aquele é viado, ou Preta Gil e Silvio Santos.
Mas falemos da Ventriloquia. Afinal, do que se trata? Há quem diga que é um
teatro de bonecos, não é. Mas é. E não é. Na maioria das vezes existe um boneco lá, mas...não é teatro de bonecos. Dizer que é teatro de bonecos é a mesma coisa que dizer que a apresentação de uma personagem de comédia é
standup, ou dizer que decoração de interiores e arquitetura é a mesmíssima coisa. Não é, acho.
MUNDANO
mag
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