Minha primeira Revista testeolhares_interativo_2016 | Page 238
Quem faz a história do JEF
Vinham pessoas, muitas vezes, de idade avançada, por-
tadoras de deficiências ou doenças crônicas, que as im-
pediam de trabalhar. Essas pessoas chegavam lá para a
audiência normalmente com a aparência de que estavam
desenganadas da vida. Muitas vezes, presenciei, no mo-
mento que a gente anunciava que esta pessoa ia passar
a receber o benefício de um salário-mínimo por mês, que
era como se a pessoa sentisse a pancada de cidadania
cair por cima dela, que até o semblante, as atitudes e as
palavras mudavam.
Saí convencido que as coisas da justiça, as coisas do
direito, devem ser resolvidas de forma coerente, dentro
dos padrões ditados pela Constituição e pelas leis, mas
de forma simples, e que esta atuação judicial se traduza
efetivamente no serviço que atenda ao usuário da Jus-
tiça, ao cidadão, e não em alguma coisa que fique nos
escaninhos da teoria e que não chegue ao cidadão efeti-
vamente. A atividade judicante é realmente uma atividade
que exige profundos estudos e um bom entendimento da
lei e da Constituição, mas exige, sobretudo, que se enten-
da o ser humano e a vida em sociedade, especialmente
aquele ser humano que se apresenta no nosso meio so-
cial desprovido de todos os recursos, que é exatamente a
população-alvo dos Juizados Especiais Federais.
Francisco Martins Ferreira
Juiz federal
Sumário
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