A implantação de estruturas como a deste calibre na Amazônia são parte do discurso desenvolvimentista de integração desta região com o restante do território nacional, presente, sobretudo nas décadas de 70 e 80. Um fato interessante é que pelo grande potencial hídrico e pela grande densidade da bacia hidrográfica, a região Amazônica possui cerca de 140 hidrelétricas, com mais uma centena prevista para entrar em operação. Algumas das principais UHEs são: Tucuruí, Belo Monte, São Luiz do Tapajós e Jirau, correspondendo a quase 25% de toda a energia produzida no Brasil.
Há um processo de realização de obras faraônicas a fim de solucionar a falta de estrutura necessária para uma suposta ideia de prosperidade para uma região vista como vazia e atrasada, mesmo sendo considerada uma reserva natural de riqueza imensurável nos dias atuais, assim como é a Antártida, por exemplo.
Acadêmicos relevantes como Aziz Ab’Saber e Carlos Walter ressaltam a necessidade de conservação do bioma, seja dentro de uma perspectiva social, pela valoração das nações indígenas e povos ribeirinhos que historicamente habitam a Amazônia e dependem dela para sua subsistência, ou por uma ideia de não impactar a dinâmica da natureza, que implica, por exemplo, na
importância da Amazônia no regime pluviométrico de grande parte do continente sul-americano. Vale ressaltar que os debates ambientalistas acerca do sistema natural amazônico são recentes, e presentes em maior escala no âmbito internacional.
A implantação de Colíder, por exemplo, que em parâmetros de produção de energia está longe de ser um dos maiores empreendimentos, estando sua potência estimada para atender uma cidade de 850 mil habitantes, quando em pleno funcionamento, já que um dos três geradores ainda não entrou em funcionamento, inviabilizou um meio natural de grande extensão, levando a impactos diretos e indiretos negativos a milhares de pessoas. A pesca e a vitalidade dos peixes, por exemplo, são comprometidas, pois a desova das espécies em direção a montante do rio se dificulta em função da alteração do regime de vazão do rio. Nações Indígenas são compulsoriamente deslocadas de áreas que habitavam por diversas décadas. Povos ribeirinhos, da mesma forma, são obrigados a abandonar seu modo de vida diretamente ligado ao rio. Toda uma organicidade local é quase que totalmente destruída em nome de um desenvolvimento que a priori não visa à melhoria da qualidade de vida local.
Figuras 22 É possível observar a potência da água no processo de geração de energia. Figura 23 Área alagada da Usina Colíder. Fontes: Martins, 2019.
AMAZÔNIA JULHO 2019