Minha primeira publicação Revista Dealer 79 | Page 34

economia Expectativas positivas para 2019 no mercado de automóveis dos EUA Tereza Maria Fernandez Muitos analistas mantêm receio em relação ao desempenho da economia dos EUA para o ano de 2019. O comportamento do mercado financeiro, em especial das bolsas de valores, cuja volatilidade e tom de pessimismo precificaram estas expec- tativas, com alguma antecedência, no final do ano passado, provocou a elevação das taxas de juros por parte do FED, ao longo de 2018, o que reforçou a avaliação negativa dos analistas. Por outro lado, outros analistas, inclusive aqueles do FMI, ainda esperam um crescimento relevante no PIB do país, para 2019 e 2020, entre 2,5% e 1,8%, respectivamente. Esta é, também, a avaliação do economista da NADA - National Automobile Dealers Association,Patrick Manzy, cujas proje- ções se mantém muito próximas do FED. Esta visão, mais otimista, foi comprada, no início deste ano, quando Jerome Poweel, presidente do FED, mudou totalmente o seu discurso, sinalizando a manutenção das taxas de juros neste ano. Na visão dePatrick Manzy, os juros não deverão ultrapas- sar os 3,0% em 2019 e os 3,25% em 2020, o que vai contribuir para as vendas do mercado automotivo. Neste patamar, ele acredita que a elevação do preço do carro não será obstá- culo para a venda de automóveis novos. Lembremos que a Associação é Republicana e tem uma visão otimista do Governo Trump. Com esse nível de juros, a inflação não deve ficar acima de 2,0%. Alguns preços, em setores mais importadores, irão se elevar acima deste patamar, mas, na média, o número não deve ser ultrapassado de forma importante. Esta, porém,não é uma avaliação unânime, e vai depender muito do cresci- mento no resto do mundo. Mas, a preocupação em relação à política fiscal e seus impactos na economia, se nada for alterado, é grande e a expectativa de que o déficit chegue a US$ 1 trilhão, entre este ano e o próximo, acende a luz de preocupação com o crescimento. O economista da NADA acredita em adoção de medidas que aumentem a arrecadação do país. Ainda em relação aos preços, há uma preocupação seto- rial importante. O maior receio estáassociadoà adoção das tarifas, em especial de partes e peças, cujos preços já estão 34 Revista Dealer se elevando. Mas outros produtos utilizados no setor, como aço e alumínio, também já subiram, e irão impactar a venda de automóveis novos, ao menos em 2019. A importação de automóveis prontos já diminuiu em 2018. Atualmente, o mercado de automóveis novos representa 20% do varejo total, e o setor de concessionárias equivale a 5% do PIB dos Estados Unidos. Em termos de arrecadação, foram pagos US$ 21 bilhões em impostos federais, e mais US$ 40 bilhões em taxas de vendas estaduais. Em termos de volume comercializado, a venda de carros novos deve estabilizar entre 14 a 15 milhões de unidades, nos próximos dois anos.Esta estabilização de volume tam- bém reflete a forte queda na comercialização de sedans no mercado norte americano, cada vez mais adepto aos modelos maiores. Com a política de juros mais altos, o mercado de usados deve seguir aquecido, negociando, em média, 40 milhões de unidades/ano, sempre lembrando que, para o concessio- nário, do ponto de vista de rentabilidade, a venda do carro usado é muito mais lucrativa. Em média, o lucro do usado está em torno de US$ 2,3 mil/unidade, enquanto o carro novo deixa uma margem de US$ 1,8 mil por unidade. Em relação à geração de empregos, o setor acredita que irá contratar, aproximadamente, 80 mil novos funcionários nas concessionárias este ano. Em especial, estão procurando técnicos para o departamento de peças e serviços. Mas a tarefa não será fácil, pois não há oferta de mão de obra nes- te setor, apesar dos salários serem atraentes (em torno de US$67 mil/ano). A situação fica ainda mais difícil no interior do país, e o setor sente a falta de profissionais especializados ou interessados em aprender a função. Mesmo com alguns entraves, de maneira geral, 2019 será bom para as concessionárias, quando avaliamos o mercado como um todo. As vendas totais deverão assegurar uma boa rentabilidade para o ano, principalmente, aos empresários que se atentarem a utilizar a tecnologia em seu benefício, já que as visitas às lojas caíram vertiginosamente nos últimos anos, e o processo de compra passou a se iniciar, em mais de 80% dos casos, pela internet. Tereza Maria Fernandez é sócia da MB Associados.