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O P I N I Ã O
Como explicar o Associativismo?
T I M Ó T E O
E
m tempos de colaboração, redes sociais e
networking, o associativismo nunca teve
um cenário tão favorável e fértil para am-
pliar sua atuação por meio dos seus con-
ceitos de livre iniciativa. Porém, como todos os
modelos de negócios existentes, enfrenta ardua-
mente as dores da transformação digital e necessi-
ta de modernização. A desconstrução dos ambien-
tes institucionais tem dado voz aos indivíduos
por meio da tecnologia, mas ainda neces-
sitamos transformar informações em
conhecimento e potencializar a re-
presentação dos grupos organiza-
dos para atender as necessidades
individuais. Esta dualidade põe
a mesa uma equação comple-
xa de se solucionar. Gostaria de
lhe convidar a refletir sobre duas
perspectivas do associativismo, a
de quem vê o sistema de dentro
para fora e a de quem vê o sistema
de fora para dentro.
A perspectiva de dentro para fora
é uma experiência ativa em todas
as frentes de atuação que entidades
representativas vivem, desde a formação de
lideranças voluntárias, mantendo o sistema ativo
até os modelos de gestão e sustentabilidade. No
centro de todo movimento está a representação
de grupos organizados por meio de diretorias que
ocupam posições de liderança nas entidades, junto
aos poderes constituídos e à comunidade. Vamos
tomar como exemplo a Associação Empresarial
de Criciúma, que ao longo de seus 75 anos
atua pelo desenvolvimento de seus associados
e representa os pleitos da classe empresarial.
No âmbito institucional, a Acic é um agente de
desenvolvimento socioeconômico da cidade e
sua relevância e atuação geram reflexos regionais,
uma vez que se envolve em pleitos e pautas
com os poderes municipal, estadual e federal,
potencializando o ecossistema empreendedor da
região. No âmbito técnico, as soluções e serviços
que oferece para seus associados melhora o
desempenho da porta para dentro das empresas,
otimizando custos operacionais e oferecendo
benefícios para uma melhor gestão.
A perspectiva de fora para dentro é a visão que o
empresário e a comunidade têm do trabalho que
é desenvolvido pela entidade e que, por muitas
vezes, é difícil de entender, seja pelos desafios
diários que o empreendedor enfrenta para manter
sua empresa ativa ou mesmo pela distância
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F A R I A S
que tem na participação das atividades que são
ofertadas. É interessante analisar este ponto de
vista, pois se considerarmos que a grande maioria
das empresas no Brasil é de pequeno e médio porte
o envolvimento dos empresários no ambiente
institucional tende a ser menor. Porém, o uso de
benefícios e serviços atende suas necessidades na
melhoria de gestão e sustentabilidade da operação
empresarial.
Bom, tendo contextualizado as duas
perspectivas posso afirmar que não há
como ter os dois pontos de vista ao
mesmo tempo, se você está atuante
no sistema, o entendimento na
importância da participação é
diferente de quando você está
orbitando ele. E quando você se
afasta do centro de energia que
move o associativismo a uma
tendência natural de analisar a
participação pelos critérios naturais
de ser empreendedor, que coloca a
relevância dos benefícios oferecidos
frente aos benefícios entregues para
a gestão da empresa. E talvez a pergunta
que esteja em sua mente agora seja: mas, qual
das perspectivas está certa? Então lhes digo que
as duas estão certas. O princípio da livre iniciativa
é que a participação no sistema depende do
que o sistema te entrega de relevante e você se
associa e desassocia pelo engajamento que tem
no movimento.
Contudo, o tempo do movimento institucional
é mais lento que do movimento empresarial.
O relógio .org, .gov, .edu, tende a ser quatro
vezes mais lento que o .com. E neste contexto,
as entidades empresariais e o movimento
associativista são responsáveis por harmonizar essa
velocidade e azeitar as relações sociais para que
juntos possamos desenvolver nossas empresas,
localidades, cidades, regiões, estados e países.
E se você faz parte do movimento associativista
busque se envolver com os seus interesses, mas
se você não faz parte do movimento saiba que o
trabalho desenvolvido reflete diretamente na sua
qualidade de vida.
Pois sozinhos vamos mais rápido, mas juntos
vamos muito mais longe e a ACIC materializa essa
responsabilidade há 75 anos.
Timóteo Farias
Consultor Empresarial