Minha primeira publicação ACIC_Liderança Empresarial_Digital | Página 38
O P I N I Ã O
A Assessoria de Imprensa na Acic
J O I C E
U
ma escada que me parecia muito longa,
estreita, em curva e com pouca ilumina-
ção era o acesso à sede da Associação
Comercial e Industrial de Criciúma (Acic)
no início da década de 1990. Chegando ao fim da
escada, mais uns degraus à esquerda e o acesso a
um pequeno auditório, com capacidade para 30
ou 40 cadeiras e uma mesa para umas cinco ou
seis autoridades, onde aconteciam as reuni-
ões dos empresários. Voltando a descer
os degraus, e agora à direita do topo
da escada, estava uma sala ampla,
cheia de mesas, de máquinas de es-
crever, de armários e papeis, mui-
tos papeis. Ali era a administração
da Acic junto com o Serviço de
Proteção ao Crédito (SPC). Nessa
época aconteceram alguns dias
tensos com discussões em torno
da liberação do SPC, que passou
para o então Clube de Dirigentes
Lojistas (CDL). O endereço era no
Edifício Manique Barreto, na sobreloja
da atual Calcutá Tecidos, na Rua Cône-
go Miguel Giacca, Centro de Criciúma.
Foi neste ambiente que iniciei minhas atividades
de Assessora de Imprensa da ACIC, na gestão do
empresário Carlos Alberto Barata (1991/1993), logo
após a gestão de Jayme Zanatta. Comecei por
organizar os jornais com notícias de interesse da
entidade, que algum funcionário mais atento teve
o cuidado de ir guardando durante o tempo. O
serviço de clipping era tanto que passei dias lendo,
recortando, colando e organizando as pastas de
clipping.
O trabalho era de muito contato pessoal com os
redatores. Acompanhava as reuniões, preparava
os textos com várias cópias e saia para entregar
aos veículos de comunicação que atuavam na
época. O espaço da Assessoria de Imprensa era
uma escrivaninha e uma cadeira. A máquina de
escrever, uma verdinha, portátil, era minha. Ali na
sede eu permanecia todos os dias, no período da
manhã, e acompanhava as reuniões, ao final da
tarde.
Foi em uma destas reuniões que ouvi o empresário
Jayme Zanatta falar que se não fossem feitos os
investimentos necessários, dentro de alguns anos
teríamos apagões de energia. Aconteceram. Ele era
muito bem informado, diziam, porque participava
de reuniões dos empresários em Florianópolis e
viajava muito.
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Q U A D R O S
Jayme Zanatta falava também em um terreno
que estavam vendo para comprar, onde seria
construída a sede própria da Acic. Mas, era tão
longe do centro e um sonho tão distante, que
poucos davam muito crédito ao assunto.
Os empresários andavam muito preocupados
nesta época. Faziam muitas reuniões, recebiam
autoridades e as dependências da sua sede já
não atendiam mais aos seus interesses.
Estamos falando de uma época em
que Criciúma recebeu, entre outros
empreendimentos, uma sede do
Banco Francês e Brasileiro (BFB),
com sua diretoria baixando de São
Paulo direto em Criciúma. Um
acontecimento.
Depois de Barata, e em meio a
crise desencadeada na região
com
a
desregulamentação
do carvão mineral, assumiu a
presidência da Acic o empresário
Guido Búrigo (1993/1997). Estávamos
ainda na mesma sede, mas a mudança
estava a caminho. Muitas mudanças. Não
só de sede.
A nova sede foi na Rua XV de Novembro e o
acesso aos vários andares era pelo elevador. Os
trabalhos da Assessoria de Imprensa, como todos,
começaram a se modernizar, com a chegada dos
computadores, dos celulares e, mais tarde, dos
correios eletrônicos e... mais ainda, dos e-mails.
Chegávamos a era da internet.
Uma gestão marcada pelas Missões Empresariais à
Europa, que foi mudando o cenário das empresas
de pequeno e médio porte, principalmente da
confecção. As grandes, como a Cecrisa e a
Eliane, já estavam sempre com seus profissionais
pesquisando no exterior.
Quando a Acic completou 50 anos, em 1994, o
presidente Guido Búrigo acendeu as velinhas de
um bolo para comemorar a data, com seu isqueiro,
e pediu para eu guardar. O isqueiro estava com um
selo comemorativo. Guardei.
Depois de Guido Búrigo, veio a gestão de Álvaro
Freitas Arns, quando me despedi da Acic para focar
em outros projetos.
Joice Quadros
Jornalista