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O P I N I Ã O
Acic: 75 anos de bons frutos
A R C H I M E D E S
É
lugar comum lembrar que Criciúma foi fun-
dada por um grupo de destemidos italianos,
que vieram à “Mérica” em busca do eldora-
do americano, fato ocorrido em 1880.
Também é do domínio público que se tornou
autossuficiente, politicamente, em 1925, quando
nascia o município e faleciam os vínculos à cidade-
mãe, Araranguá.
Em 1880 havia 15 municípios em todo
o estado, três dos quais em nossa
macrorregião: Laguna, Tubarão e
Araranguá. Em 1925, Santa Catarina
contava com 35 Municípios:
Cresciúma (a velha grafia do nosso
topônimo) seria o 36º.
O mundo girava devagar,
como devagar andava o Brasil,
assim como muito devagar
caminhava Santa Catarina. Não
é exagero afirmar que estávamos
condenados à estagnação. Mas,
foi descoberto o carvão mineral
que, a partir de sua exploração,
impulsionou
o
pulmão
empreendedor de nossa gente:
era extraído em nossa região,
transportado para Tubarão, onde
era lavado, e embarcado em
Laguna – num primeiro momento
– e pelo Porto de Imbituba, até
hoje.
F I L H O
tête entre o comerciante e/ou o industrial e/ou o
consumidor e o caixeiro-viajante. Eles abundavam
na cidade. E foram eles, os caixeiros-viajantes que
incentivaram os nossos comerciantes daquela
década, a fundarem um organismo próprio que os
representasse. Falavam de experiências análogas
havidas em outras cidades por eles atendidas e os
benefícios que poderiam resultar de tal iniciativa.
O setor industrial era fraco, mas, em
contrapartida, o comercial se fortalecia
dia a dia.
E
os
nossos
comerciantes,
especialmente
à
hora
do
cafezinho, no São Paulo ou no
Rio – consagrados cafés da Praça
– além de captarem as sugestões
dos vendedores, despertaram
para a criação de tal entidade.
À mente, especialmente, a
modernização dos seus métodos
de compra e venda.
“A Acic é a vanguardeira
na defesa dos interesses
sócio empresariais de
Criciúma, estendendo
seus tentáculos aos
municípios vizinhos”.
A década de 1940 fotografava
uma Cresciúma pacata, suja,
empoeirada, triste, uma igreja,
algumas casas sobradadas em volta da Praça Nereu
Ramos, um trem cortando a cidade ao meio e
expelindo fumaça e fuligem, mas endinheirada
como consequência da II Guerra Mundial: a crise
de energia apontou a busca de solução energética
nas minas de carvão do Sul do estado. E houve o
“boom salvador da pátria” provocado pelo aumento
considerável no fornecimento do mineral aos
fornos dos navios e das siderúrgicas. O dinheiro era
visto a olho nu. E não parou mais.
Comprar para o consumo da população, comprar
matéria prima para as poucas indústrias, enfim, as
compras eram resultado de visitas semanais que
os caixeiros-viajantes faziam à cidade oferecendo
seus produtos. Não havia rádio, nem jornal, nem
televisão, nem internet, nem WhatsApp, nem
telefones, nem estradas. Tudo era feito no tête à
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N A S P O L I N I
E foi assim que foi discutido,
planejado e executado o projeto
da fundação da Associação
Comercial de Cresciúma que
nasceria, oficialmente, a 18 de
junho de 1944.
No Velho Continente o ruído
estúpido dos canhões dos
alemães e os dos aliados e, aqui
em Cresciuma, o espocar de
fogos anunciando a boa nova:
fundada a Acic.
Paralelamente, o setor industrial
também deixava a mono indústria da extração do
carvão mineral e enveredava por outras iniciativas.
E, a 21 de janeiro de 1952, aquela entidade passou a
ser chamada de Associação Comercial e Industrial
de Criciúma.
Foi seu primeiro presidente o Senhor Antônio Roque
Júnior, da Casa Roque, estabelecida na esquina da
Rua Conselheiro João Zanette com a Rua Marechal
Floriano.
Depois vieram outros tantos e o atual Moacir
Dagostin. Cada um, ao seu tempo, merecedor
das melhores referências. Todavia, há que ser
mencionado Guido Búrigo, que dedicou tempo
integral à administração da entidade, o que daria
uma nova dimensão à Acic, e Jayme Antônio
Zanatta, que fez erguer a construção da moderna e