Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) é um nome de referência da arte portuguesa do séc. XIX. O artista multifacetado e polémico foi o fundador do jornal humorístico e satírico “A Paródia”. A natureza é o principal tema trabalhado nas peças de cerâmica de Bordalo Pinheiro, que não só utiliza a natureza para fins decorativos, como cria também narrativas que ilustram algumas fábulas (ex. “O Lobo e a Cegonha”, 1900). Na exposição, contudo, não estão só presentes obras com a temática da natureza, mas também obras com um caráter histórico e político.
Bordalo Pinheiro renovou as artes decorativas, recuperando formas tradicionais e populares, acrescentando à sua cerâmica uma grande inovação: “a potencialidade do barro enquanto matéria de grande maleabilidade é aproveitada habilmente na modelação de novas formas, apuradas e orgânicas, onde os apontamentos decorativos de grande simplicidade fazem aproximar Rafael Bordalo de artistas internacionais, que vinham experimentando uma estética moderna”, escreveram os comissários da exposição Mariana Caldas de Almeida e Pedro Bebiano Braga.
Depois de um período de grandes dificuldades, a fábrica das Caldas da Rainha está atualmente a promover em força a cerâmica de Rafael Bordalo Pinheiro, que tem suscitado interesse a nível internacional, anunciando para breve a abertura de novas lojas em outras capitais do mundo.
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