Jornal EcoEstudantil, n.º 31, maio 2018 26 Jornal maio 2018 | Seite 34

CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS NÃO!!!!! PÁRAAAAA!!! NÃO QUERO PÁRAAAAA!!! DEIXA-ME NÃO ME TOQUES, NÃO QUERO SER VIOLADAA!!! LARGA-MEEEEEEEEE!!! OUTRA VEZ NÃO!!!! (CHORANDO)… TRAUMA! O trauma é o gatilho que faz tudo mudar, tudo se desenvolver e, a partir daí, eu não vou ser mais eu… Foi mais forte que eu, e num ato de desespero o meu cérebro agiu! Ele produz uma dissociação, que é uma descontinuidade da consciência e da memória, tenta adaptar-se ao medo e à dor intrínseca e profunda que sinto. Sofro processos psíquicos longos e complexos, que preservam o ego do aniquilamento. A dissociação distorce o desenvolvimento da minha personalidade e prejudica a minha integração contínua de vivências e perceções tanto próprias como das emoções de outras pessoas. Não sei que fiz, as minhas lembranças não são constantes, tenho espaços vazios a preencher, sinto-me confusa. Será que aconteceu? Fiz mesmo isto? Não sei… Onde andei? Com quem me dou? Não sei mais como me sinto! E mais, não me vou aperceber de nada do que me acontece até chegar à minha infância onde tudo se torna evidente e transparente, e a partir da adolescência permanente. A dissociação perpetua uma hiperexci- tação autonómica via hipófise-hipotálamo-suprarrenal, através da evocação da memória do trauma que pas- sei em resposta a estímulos remanescentes a este, criando, assim, sucessivos microtraumas. Em resposta às minhas inseguranças, o cérebro criou para mim novas personalidades com memórias, ideias, comportamen- tos e filosofias de vida diferentes das minhas, surgem os alter egos. Rapidamente tomam conta de mim, ganham autonomia, às vezes sou eu e muitas vezes sou eles, con- trolam-me do nada, trata-se de um switch process, tomam conta do meu corpo fazendo o que querem com a realidade, possuem-me para me proteger, prejudicar, encorajar respondendo a estímulos externos de que não tenho conhecimento… Por exemplo, se me sinto amedrontada, Jorge aparece, o meu alter protetor. No início não sabia quem eram, o que faziam e que até existiam! Ao longo do tempo, cada um dos alter egos apresentaram-se perante mim e eu consigo vê-los como pessoas reais, vejo os seus reflexos quando olho no espelho, sei como são, têm cabelos pretos, loiros, ruivos, olhos de todas as cores e feitios, são homens, mu- lheres, crianças, idosos ou adolescentes e cada um deles desempenha uma função executiva em mim. Per- cebo que afinal não sou mais só eu, sou, na verdade, muitos. Fui diagnosticada, erroneamente, com esquizofrenia, bipolaridade, depressão, ansiedade, alucinações auditivas e visuais. É difícil saber diagnosticar o meu problema psíquico. A esmagadora maioria de casos como o meu leva, em média, 7 anos a ser diagnosticado. Em termos de prevalência, 92% dos casos são mulheres, com idade média de 31 anos e um número médio de 13 personalidades. Em 85% dos casos, uma das personalidades é de criança. Muitas personalidades são autodestrutivas, violentas, criminosas ou desini- bidas sexualmente. Há algum método de suavizar