CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS
JCE / Psicologia
O Ódio: O papel da arte no filme
Por Margarida Gouveia, 12.º A2
Paul Ekman. Um pioneiro no estudo das emoções e expresses faciais
Por Ana Catarina Fernandes, 12.º A1
S erá que a vida é a preto e branco e nós é que a vemos a cores para ser mais suportável?( provocação da professora Edite). Era nisto que estava a pensar quando começou O Ódio, um filme de Mathieu Kassovitz. Aí, deparo-me com uma realidade a preto e branco, escolhida propositadamente.
Será que o objetivo de Kassovitz era atenuar a violência com que se deparam as personagens? Será que era revelar um mundo triste, desolado, sem vida, um mundo morto para o resto do mundo? Não sei, mas fiquei a pensar nisso enquanto assistia ao filme, e aí comecei a reparar não só na falta de cor, mas também na falta de música, na falta de tato que as personagens tinham para a cultura, para a arte …
Para aqueles jovens, a arte era aquilo que eles faziam dela, pelo que, no filme, vemos como eles se reúnem e criam o seu próprio estilo musical e os seus próprios movimentos de dança, representando assim a“ cultura das ruas”, principalmente o hip-hop. Em contrapartida, quando os três ami- gos entram numa galeria, não percebem nada do que significa aquela arte, analisam obras sem sentido … Sem se aperceberem, encostam-se a quadros, como se fossem simples paredes e, nesta confusão, acabam expulsos.
E é nesta altura que volto a pensar na reflexão da professora. Será que a arte surgiu tanto na vida como no filme para os tornar mais suportáveis? Será que há alguma crítica à cultura dos jovens do filme? Qual será o papel da arte?
Observar como todos os jovens ali presentes gostam de hip-hop e, também, ver como os três jovens não conseguem apreciar as obras que vão aparecendo no filme, percebemos como o ser humano é o reflexo do que está à sua volta, do que vive.
Na minha opinião, Mathieu Kassovitz não quer, com estes episódios, mostrar que aquilo a que os três protagonistas chamam arte seja melhor ou pior que os“ padrões normais”, apenas que essas tendências são fruto da socialização a que esses jovens foram submetidos, pois é assim que o ser humano se integra na vida social, interiorizando as especificidades culturais do meio.
A série de televisão“ Lie to me” inspirouse nos trabalhos deste psicólogo.
A s emoções primárias requerem a participação do sistema nervoso autónomo e do sistema límbico. Têm uma forte componente inata, o que determina a sua universalidade e ocorrência em crianças de tenra idade.
Ekman estudou as emoções através de experiências com tribos ainda pouco influenciadas pelo mundo exterior( na Papua Nova Guiné). Mostrou conjuntos de fotografias com expressões faciais correspondentes a diferentes emoções. Os membros da tribo foram capazes de as identificar. Comparou resultados nos Estados Unidos. Pôde concluir que existem seis emoções básicas e universais: alegria, tristeza, medo, cólera, surpresa e aversão.
Apesar de existir universalidade nas emoções, também existem variantes e normas específicas. A forma como somos influenciados pelo meio sociocultural e pelos diferentes padrões em vigor fazem com que as emoções que cada pessoa apresenta em situações concretas tenham caraterísticas culturais fortes.
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