NOVEMBRO / 2017 O IMORTAL PÁGINA 15
Sem achismos e preconceitos, seria uma opção?
MARCEL BATAGLIA GONÇALVES marcelbataglia @ gmail. com De Balneário Camboriú, SC
André Luiz( Espírito)
O irmão de Jesus é todo aquele que simplifica a existência pelo padrão da manjedoura de Belém ou pela carpintaria de Nazaré, honrando a humildade e o trabalho; que serve, com a mesma despreocupação pela recompensa imediata com que o Divino Amigo amparou a humanidade inteira; que ajuda, perdoando mativas“ caíram por terra”. A homossexualidade não é uma doença, não é uma“ tara” ou um castigo divino, mas sim, uma experiência evolutiva. Nem mesmo deve-se considerar que o homossexual é pervertido, assim como não consideramos o heterossexual como um depravado, ou seja, ambos são um estágio evolutivo. Não se trata de“ sem-vergonhice”, ou“ desvio moral”, nem tão pouco“ opção de vida”, que pode, ou não ser induzida por quem quer que seja, como querem crer teólogos e psicólogos vinculados a religiões tradicionais.
Dr. Américo Nunes, em“ Sexualidade à Luz da Doutrina Espírita”, diz que somente em 1869 surgiu a palavra“ homossexual”, através de um panfleto de autoria do médico húngaro Karoly Benkert. Alguns pesquisadores relatam que a expressão deve ter sido usada pela primeira vez em 1868, em uma troca de correspondência entre dois alemães. Em verdade, o vocábulo é formado do prefixo“ homo”, de origem grega, referindo-se a“ igual” ou“ semelhante”, acrescido de“ sexual”: relações carnais entre pessoas do mesmo sexo.
No campo da Zoologia, a homossexualidade também se
O irmão de Jesus
tantas vezes quantas forem necessárias, compreendendo, pelos métodos do Senhor, que ninguém pode trair a Lei, no tempo e na consequência, na evolução ou no mérito individual; que ensina, com as demonstrações do exemplo, no mesmo critério por Ele adotado, à frente da multidão; que ama e se sacrifica pelo bem de todos, dentro das mesmas medidas de renúncia, através das quais o Celeste
Embaixador aceitou, sem revolta, o supremo testemunho na cruz.
Sem essas características, na posição em que nos movimentamos perante o próximo, somos devedores, beneficiários, aprendizes, seguidores ou verdugos d’ Ele, que ainda não passamos de candidatos ao título de irmãos do Senhor, na romagem dos séculos sem fim...
Do livro Cartas do Coração, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier. faz presente, segundo estudo feito nos EUA com 450 espécies, pois os animais apresentam em menor ou maior grau a orientação homossexual. Já na área da Neurociência a homossexualidade possui uma origem biológica e uma expressão anatômica no cérebro. Entretanto, no campo da Sociologia, o tema ora discutido possui características culturalmente invariáveis que permanecem estáveis através da geografia, classe social e do tempo.“ Somos sabedores de que a Razão sem a bênção da luz não passa de simples matéria de Cálculo, porque instrução e ciência são processos que facultam acesso à sabedoria e à plenitude, somente a cultura na iluminação do Espírito Imortal que somos, poderá nos proporcionar a felicidade e nos elevar na condição de cocriadores, irradiando as melhores vibrações de amor, pelo desenvolvimento das virtudes Divinas que carregamos no nosso mundo íntimo”. André Luiz Alves, em uma crônica publicada pela revista O Consolador nos relembra que“ o que se percebe na contemporaneidade é que a homossexualidade ainda enfrenta grande resistência por parte das doutrinas religiosas mais populares, as quais reafirmam com veemência seus dogmas tradicionalistas, adotando muitas vezes uma política de exclusão e incentivando o preconceito, mesmo que de forma inconsciente”. É sabido que os Espíritos não possuem sexo, ou seja, não há distinção de gêneros, como bem demonstra Allan Kardec em O Livro dos Espíritos através das perguntas 200 a 202, esclarecendo-nos que“ os sexos dependem da constituição orgânica. Há entre eles o amor e simpatia, mas baseados na afinidade de sentimentos”. Ainda sobre o sexo dos Espíritos, a mensagem é clara quando diz que o que acontece é que em algumas situações os Espíritos estagiam inúmeras vezes em apenas um gênero e, quando há necessidade de retornar em um sexo oposto, ele encontra dificuldades para adaptar-se à sua nova condição biológica, resultando assim na homossexualidade.
A Doutrina Espírita é acolhedora e não se opõe à estrutura homossexual do indivíduo. Mas é necessário fazer um alerta com relação à promiscuidade que pode ocorrer independentemente da orientação sexual. O abuso do sexo constitui prática perturbadora para o Espírito, pois visa, tão somente, à satisfação dos instintos mais primitivos e, por isso, deve ser corrigida para que o indivíduo não acumule débitos futuros. Outro aspecto a considerar é a questão do respeito a si mesmo e a outrem, visando à preservação dos sentimentos e do corpo e, sobretudo, não impor a outras pessoas a própria orientação sexual, seja ela qual for.
Segundo Emmanuel em“ Vida e Sexo”, a coletividade humana aprenderá, gradativamente, a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trata simplesmente de sinais morfoló-
Conforme diz Paulo da Silva Neto Sobrinho, pesquisador, orador espírita e autor do livro“ Homossexualidade: Kardec já falava sobre isso”, na atualidade, as três principais vertentes com as quais se estabelecem os preconceitos, e, por conseguinte, a discriminação de pessoas, são: os sociais, os raciais e os sexuais. Afinal, como deveria ser a conduta do homossexual? E como deveria ser a conduta do heterossexual? Perfeitamente iguais, visto que não há diferença na conduta perante o que diríamos comportamento civilizado e principalmente quando nos lembramos das leis divinas. Devem ser condutas que não transgridam a liberdade do outro, sem agredir aqueles que estão na outra faixa optativa, sem vulgaridade, sem mesquinhez, sem promiscuidade. Mas então a homossexualidade é opção, doença moral, ou desequilíbrio emocional? Na década de 80, geneticistas afirmavam que eram disfunções de alguns genes, outros supuseram que eram deformidades perinatais, mas que ao longo do tempo essas afirgicos, para se erguerem como agentes mais elevados de definição da dignidade humana, de vez que a individualidade, em si, exalta a vida comunitária pelo próprio comportamento na sustentação do bem de todos ou a deprime pelo mal que causa com a parte que assume no jogo da delinquência. Emmanuel ainda destaca que, observadas as tendências homossexuais dos companheiros reencarnados nessa faixa de prova ou experiência, é forçoso se lhes dê o amparo educativo adequado, tanto quanto se administra instrução à maioria heterossexual, porquanto, à frente da vida eterna, os erros e acertos dos irmãos de qualquer procedência, nos domínios do sexo e do amor, são analisados pelo mesmo elevado gabarito de Justiça e Misericórdia. A“ sede real do sexo”, segundo André Luiz, não se acha, dessa maneira, no veículo físico, mas sim, na entidade espiritual, em sua estrutura complexa. O sexo é, portanto, mental em seus impulsos e manifestações, transcendendo quaisquer impositivo da forma em que se exprime. O homem e a mulher serão, desse modo, de maneira respectiva, acentuadamente masculino ou acentuadamente feminina, sem especificação psicológica absoluta.
Em vista do exposto, é compreensível que o Espírito no renascimento, entre os homens, pode tomar um corpo feminino ou masculino, não apenas atendendo-se ao imperativo de encargos particulares em determinado setor de ação, como também no que concerne a obrigações regenerativas. Portanto, se“ as faltas cometidas pelas pessoas de psiquismo julgado anormal são examinadas no mesmo critério aplicado às culpas de pessoas tidas por normais”, então, não cabe a nenhum de nós julgar, condenar, abominar ninguém por conta de seu comportamento sexual.