NOVEMBRO / 2017 O IMORTAL PÁGINA 7
O doutor Augusto José da Silva nasceu na cidade de Lavras, no dia 5 de julho de 1845, filho do Dr. José Jorge da Silva e Joana Miquelina Fidélis do Bonfim. Concluiu o seu curso de humanidades no Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro, doutorando--se em Medicina, em 1872, pela Escola de Medicina do Rio de Janeiro. Sua tese de formatura versou sobre o tema:“ Da esterilidade, suas causas e meios de curá-la”.
Logo que recebeu o grau de médico, regressou a sua cidade natal, onde clinicou por dois anos; a seguir, mudou-se para a cidade de Bom Sucesso, também em Minas Gerais, lá contraindo matrimonio com D. Belmira Cândida da Fonseca. Tiveram seis filhos, um dos quais faleceu ao nascer. Quatro filhos homens se tornaram engenheiros. A filha única consorciou-se com distinto médico de Lavras. Todos foram preparados para o caminho da virtude e do dever, e, graças à dedicação e aos conselhos do pai, alcançaram um futuro promissor. Ficou viúvo em 27 de janeiro de 1885, não se
Grandes Vultos do Espiritismo
sentiu com coragem bastante para permanecer em Bom Sucesso, onde tudo fazia avivar sua grande dor pela perda da companheira. Assim, retornou para Lavras. Foi nesse estado de alma que se entregou, com sofreguidão, ao estudo aprofundado do Espiritismo, tornando-se desde logo fervoroso adepto da Codificação Kardequiana. E a tal ponto chegou seu entusiasmo pela Nova Revelação, que se tornou um grande divulgador da doutrina espírita. Fé que começou professar, indiferente às risotas e às críticas a que estaria sujeito, saiu em campo para pregar o Espiritismo Cristão por todos os meios ao seu alcance, embora se possa dizer que seu exemplo foi, em verdade, o mais importante fator na conversão de muitos.
Como espírita, deu a público algumas traduções e inúmeros artigos de vulgarização e propaganda, nos quais – declarou o“ Reformador” da época – a singeleza do estilo, castiço todavia, já de si mesma revelava a simplicidade característica do seu espírito. E de tal modo incutia ele as suas convicções no povo lavrense, que os católicos mais fanáticos, por não encontrarem opositores à altura, se viam obrigados a se recolherem na sua irritação. Os que discordavam de sua maneira de pensar, respeitavam-no, mesmo porque sua vida, em
MARINEI FERREIRA REZENDE- marineif2001 @ gmail. com De Londrina
Augusto José da Silva
qualquer setor de atividade a que estivesse ligada, era um espelho de virtudes. Além dos seus afazeres profissionais, como médico, exerceu também, e por alguns anos, o cargo de provedor da Santa Casa de Misericórdia, apresentando uma administração das mais profícuas. O primeiro Centro Espírita de Lavras foi por ele fundado no dia 26 de outubro de 1894.
Durante dois triênios, prestou, como vereador, relevantes serviços ao município de Lavras; e, na função de chefe do executivo municipal, destinou todo o seu subsídio para a aquisição, na América do Norte, de magnífica mobília escolar, que foi doada ao Instituto Evangélico de Lavras. Por algum tempo clinicou em Belo Horizonte, na época em que a futura capital mineira se achava em construção.
Quem desconhece as dificuldades daqueles tempos, não pode aquilatar o quando de sacrifícios e canseiras era exigido dos médicos que, no interior do País, faziam da Medicina um verdadeiro sacerdócio. Se os contemporâneos do Dr. Augusto o tinham na conta de um grande benfeitor, de um homem que, no consenso geral, era a encarnação da bondade, as novas gerações, que não o conheceram em seu corpo físico, apelam, no entanto, sistematicamente, para o seu Espírito, por sabê-lo sempre disposto a acudir a todos quantos lhe batam às portas do coração. Lá no Espaço, continua ele prestando, mormente aos habitantes de Lavras e regiões circunvizinhas, aquela mesma assistência médica permanente, além de outros benefícios de ordem moral e sentimental.
Às doze horas do dia 19 de dezembro de 1905, desencarnou repentinamente na cidade de Lavras, vítima de angina pectoris. Como obreiro do Senhor, pode-se dizer que ele desencarnou em plena atividade, e isto porque momentos antes formulara diversas receitas, escrevera, sob o conhecido pseudônimo de Senex, seu costumeiro artigo para ser publicado na“ Folha de Lavras”, indo, depois, à casa de seu dedicado genro, Dr. Zoroastro Alvarenga, despedir-se deste, de sua extremosa filha e de sue netinho, que viajariam para Perdões.
A imprevista noticia do desenlace do Dr. Augusto José da Silva ecoou por toda a cidade de Lavras como um funesto acontecimento, deixando aturdida a população, que não podia absolutamente acreditar na veracidade da notícia. Quase todo o comércio cerrou as portas. A Câmara Municipal e a“ Sociedade Italiana de Mútuo Socorro”, da qual o finado era sócio benemérito, hastearam o pavilhão em funeral.
Na sua residência, foram feitas diversas homenagens. Os pobres que invadiam a casa ajoelhavam-se diante do corpo inanimado do Dr. Augusto, banhando-o de lágrimas, recordando em frases entrecortadas de soluços os benefícios recebidos. Sua segunda e dedicadíssima companheira, Dona Maria Benícia da Silva, com quem ele contraíra núpcias em janeiro de 1905, estava inconsolável. No dia seguinte, 20 de dezembro de 1905, às 13 horas, enorme multidão de pessoas, vindas até de cidades circunvizinhas, acompanhou os despojos do doutor Augusto ao cemitério, onde se processou o sepultamento estando ali representadas todas as classes sociais.
No dia 31 de janeiro de 1920 o Centro Espírita Luz e Caridade passou a denominar-se Centro Espírita de Lavras, que teve como presidente Christiano José de Souza. Em 18 de junho de 1961, o Centro Espírita de Lavras passou a ter nova denominação: Centro Espírita Augusto Silva.
Honrando e servindo a Jesus, tanto pela palavra, como, sobretudo, pelas obras, o Dr. Augusto inscreveu para sempre o seu nome entre aqueles adeptos que, segundo Allan Kardec, apresentam os sinais característicos para se distinguirem como verdadeiros espíritas!