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Portanto, torna-se necessário o conhecimento dos métodos de plano, ângulo, proporção, harmonia, tratamento e manipulação. O tratamento envolve ajustes técnicos de cores, brilho, contraste, correções, sombras e até mudança de enquadramento, muitas vezes usada para suprir a falta de algum equipamento.
A manipulação acontece a partir do momento em que o fotógrafo cria sua composição, quando enquadra uma cena, decidindo o que vai ou não aparecer na retratação final, ou seja, uma espécie de manipulação do olhar. No aspecto técnico, através da manipulação têm-se uma alteração da imagem, a retirada ou acréscimo de um elemento ou objeto em uma cena, a mudança de expressões, e alteração de aspectos físicos de uma pessoa. A manipulação laboratorial, realizada por meio de alterações químicas, de ampliação, sobre pintura e retoques de negativos, é pouco utilizada atualmente. A manipulação digital, hoje mais usada, é realizada através de softwares específicos para edição.
Fotojornalistas Redatores
Os casos mais aparentes de manipulação estão presentes nas imagens utilizadas na publicidade, onde essa ação se torna necessária para o objetivo final, que se caracteriza, principalmente, por tentar vender um produto ou uma ideia. A manipulação não é apenas digital e ocorre também no momento da produção da imagem, quando há, por exemplo, o processo de maquiagem do produto, afim de se alcançar uma melhor aparência. A fotografia é um meio de comunicação e pode ilustrar diversos fatos históricos, mas é preciso um aprofundamento na história real por trás do registro para que haja uma interpretação correta. A manipulação por parte do fotógrafo ou da mídia pode ocorrer para criar uma ilusão ou um interesse especial nos receptores da imagem. O registro representa uma realidade que cada fotógrafo interpreta no momento de um acontecimento, que pode apenas conter fragmentos do que realmente aconteceu, uma realidade transformada ou uma interpretação ambígua. Inúmeras imagens utilizadas pela mídia, com alcance global, já fazem parte do imaginário coletivo. Portanto, é necessário um esforço constante de racionalizar e questionar: são mesmo fragmentos da realidade ou não? O que elas induzem ao públicoreceptor? Quais interesses representam? Quais histórias relatam? São reais ou fictícias, criadas ou manipuladas pelo fotógrafo, criador da imagem. Somente através destes questionamentos é possível atestar a veracidade de uma fotografia.
Sebastião Salgado, Serra Pelada.
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