Ifformação | Page 9

Colocado no contexto da tragédia, essa pergunta mudaria para: e se pudéssemos reutilizar os rejeitos de minérios que provocaram o desastre de

Mariana até mesmo na reconstrução das próprias casas destruídas?

É isso que o projeto inovador realizado na Universidade Federal de Ouro Preto propõe. Ele viabiliza o reaproveitamento dos rejeitos de minerações transformando­os em materiais utilizados na construção civil, como tijolos, blocos, ou mesmo cimento, por exemplo, diminuindo os impactos ambientais, bem como os riscos trazidos pelas barragens.

De acordo com Ricardo Fiorotti, professor e coordenador do projeto, o processo é muito simples e possui duas frentes em que pode ser trabalhado. A primeira se trata do processo de captar os rejeitos de forma bruta e usá­los na produção de pré­fabricados, como tijolos, blocos, canaletas, entre outros, como já foi mencionado. Na outra frente é utilizado um processo em que os restos de mineração são “polidos”, para que se viabilize a separação dos elementos como a argila, a areia e o minério de ferro.

Ainda, de acordo com o coordenador do projeto, isso poderia trazer retornos financeiros para as indústrias do setor, como pode ser visto na seguinte declaração: “O processo se paga através da própria separação dos materiais. O investimento feito pela mineradora para construir esta unidade de reaproveitamento voltaria através da comercialização destes materiais. A areia é facilmente usada e consumida pelo próprio mercado local. A argila está cada vez mais difícil de ser encontrada e é utilizada na cerâmica. Além, é claro, do minério, que retornaria ao processo de mineração”, explica o professor.

Como já foi mencionado, se esse processo fosse implantado, isso poderia trazer vários benefícios, desde a questão ambiental, com o reaproveitamento da lama, até para as próprias indústrias, retorno financeiro. Apesar disso, Ricardo explica que o projeto já foi apresentado à algumas empresas, mas que não houve muito interesse. Talvez a situação mude após esse grande desastre.