Governança Democrática - 3ª Edição | Page 239

• Juntamente com o ponto anterior, verificamos que os processos participativos se colocam como o lugar adequado para a tomada de decisões que correspondem à atuação dos eleitos e, de fato, reivindicam substituir os órgãos de representação política. Este é um erro de graves consequências democráticas, uma vez que qualquer processo participativo é setorial-corporativo. A convocação para os processos participativos se subordina a temas predefinidos e os participantes, quando muito, representam suas organizações, e não são escolhidos pelo conjunto da cidadania. Considerar estes processos como substitutos das instituições surgidas de votações gerais é, sem dúvida, uma atitude antidemocrática e só explicável em situações em que os processos eleitorais tenham sido corrompidos. • Não se distingue com clareza duas dimensões da participação: a cidadã, na elaboração de políticas municipais financiadas com recursos públicos, da participação cidadã no “fazer cidade”, em fazer parte de organizações sociais, desportivas, culturais, de moradores etc.; e a de adotar comportamentos cívicos e, naturalmente, da participação eleitoral. Ambas são importantes e se condicionam mutuamente, mas os métodos para o seu desenvolvimento são distintos e, sem dúvida, a segunda dimensão é determinante. A participação cidadã na elaboração e monitoramentos das políticas, em condições de normalidade democrática, qualifica a democracia. Por isto, sua finalidade deve ser concebida de tal modo que favoreça a participação eleitoral e o interesse pelo monitoramento da política. Um dos principais indicadores dos processos de participação cidadã (embora não dependa apenas da participação) deveria ser o aumento da participação eleitoral, o interesse pela política e o prestígio da figura do representante político. Governança Democrática: Construção coletiva do desenvolvimento das cidades 237