Governança Democrática - 3ª Edição | Page 205

rizou sua moeda: “Queremos promessas, não mais realidades.” À realização de expectativas, cabe responder imediatamente com outras novas. Para gerir expectativas é aconselhável ter em conta, além da que acabamos de mencionar, o caso das corridas de cachorros galgos: quando a lebre se encontra muito longe, o galgo não corre, não avança, mas se a lebre fica mais perto, o galgo a agarra e também não corre; é preciso situá-la a uma distância adequada para que o galgo acredite “razoavelmente” que a agarrará, mas não consegue alcançá-la e continua correndo. A lebre é a expectativa e o galgo a cidade, e o que importa é que a cidade sempre corra, sempre avance. Iniciativa para a gestão da mudança: gerir expectativas significa tomar a iniciativa para começar e dar continuidade às mudanças. É evidente que não basta apenas vislumbrar, mas iniciar os processos de mudança para que, a partir da situação atual, se atinja a situação ou cenário futuro considerado possível e desejável. Para isto é preciso dotar-se de uma estratégia e colocá-la em prática. As forças de transformação devem ser identificadas e definidos os objetivos compartilhados de maneira clara e factível. Assim como deve ser iniciada, de maneira exemplar e com visibilidade, a gestão da mudança. O desenho de processos para a participação cidadã e a realização de acordos é uma aptidão necessária para gerir a mudança corretamente. A participação deve assegurar o conhecimento permanente dos desafios e necessidades dos diferentes setores para conseguir apoio da cidadania, se a estratégia e os projetos adotados assumirem os desafios e necessidades identificados. Os processos de mudança não seguem trajetórias fixas; os próprios avanços introduzem mudanças na situação de partida, o que significa que a estratégia ou projeto identificado aparece com maior clareza e riqueza de matizes que, sem dúvida, exige Governança Democrática: Construção coletiva do desenvolvimento das cidades 203