social, teve como consequência o aparecimento do que G.
Lipotevesky, acertadamente, denominou sociedade da
decepção, em seu sentido mais amplo, e também da desesperança ante o futuro. Esses indivíduos decepcionados, autoinsuficientes, com escassos vínculos sociais e cada vez mais segregados da esfera pública, encon traram no mercado financeiro
global, guiado pela ânsia de lucro em curto prazo, e em
produtos creditícios subprime, o que nem o Estado, nem as
redes familiares e sociais lhes ofereciam: uma miragem de
satisfação das suas necessidades e aspirações.
O resto é conhecido. Os títulos subprime causaram falência
e desconfiança em todo o sistema financeiro global. Os Estados
tiveram que resgatar os bancos, gerando ou agravando os seus
déficits e dívidas, o que resultou, na União Europeia, que
muitos deles elevassem suas taxas de juros para financiar a sua
dívida. Grécia, Portugal e Irlanda chegaram à falência. O que
levou, por não ter o Banco Central Europeu (BCE) agido diretamente como avalista da dívida e resgatado os Estados em
situação falimentar (como fizeram os Bancos Centrais da
Grã-Bretanha e dos EUA), a que todos os demais Estados o
fizessem. Isso agravou mais ainda o seu déficit e sua dívida,
ficando, como no caso de Espanha e Itália, também eles em
situação muito delicada ao se depararem com seu déficit em
função dos gastos com o resgate.
Em resumo, a ruptura social, institucional e moral gerou as
bases da crise financeira. A maneira como se enfrentou essa
crise no âmbito da UE, tentando reduzir o déficit público sem
optar por investimentos para o crescimento econômico e empoderamento social, levou a um círculo vicioso: a despesa pública
e os investimentos foram reduzidos e os impostos aumentados,
de modo que a atividade econômica contraiu-se, assim como
foram reduzidos os direitos sociais financiados pelo orçamento
público. Tal contração, por sua vez, levou a um novo déficit
público e a uma nova dívida, com o que se agravaram também
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Governança Democrática: Construção coletiva do desenvolvimento das cidades