muito mais o papel gerencial e simplesmente de gestão do que
o do político eleito com funções de governo.
Esta subordinação da política à gerência assumiu formas
diferentes.
A mais lamentável é o desprestígio do político eleito e sua
desautorização por parte dos profissionais da gestão. Outra
forma tem sido o fato de que os gerentes ganharam relevância
sobre os políticos, criando-se a figura do prefeito-gerente, ou
do vereador-gestor.
Este enfoque tem sido acompanhado da tentativa de
converter a prefeitura numa empresa, em alguns casos, inclusive, como a maior empresa do município.
O grande problema deste posicionamento, isto é, do modo
gerencial de governar, é que a prefeitura, e menos ainda os
serviços de bem-estar social, não são de uma empresa, e querer
torná-los semelhantes levou em muitos casos a desconsiderar
sua responsabilidade pela aplicação da lei, própria de qualquer
administração democrática, e o papel do cidadão passou do
papel de súdito, próprio do modelo burocrático, ao de cliente
ou consumidor, e não como cidadão propriamente dito, ou seja,
como sujeito ativo de direitos, a quem o governo deve ser capaz
de representar.
Na governança democrática, o papel do político não apenas
é revalorizado em relação ao gestor ou gerente. Ele também
deve ser capaz de gerir os serviços com eficácia e, como veremos,
em função do seu impacto no desenvolvimento comunitário.
Porém, sem dúvida, o mais importante é a nítida separação
das funções de gerência ou gestão das funções e “papéis políticos” que a governança proporciona. No quadro seguinte são
destacadas as diferenças citadas:
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Governança Democrática: Construção coletiva do desenvolvimento das cidades