Governança Democrática - 3ª Edição | Page 176

muito mais o papel gerencial e simplesmente de gestão do que o do político eleito com funções de governo. Esta subordinação da política à gerência assumiu formas diferentes. A mais lamentável é o desprestígio do político eleito e sua desautorização por parte dos profissionais da gestão. Outra forma tem sido o fato de que os gerentes ganharam relevância sobre os políticos, criando-se a figura do prefeito-gerente, ou do vereador-gestor. Este enfoque tem sido acompanhado da tentativa de converter a prefeitura numa empresa, em alguns casos, inclusive, como a maior empresa do município. O grande problema deste posicionamento, isto é, do modo gerencial de governar, é que a prefeitura, e menos ainda os serviços de bem-estar social, não são de uma empresa, e querer torná-los semelhantes levou em muitos casos a desconsiderar sua responsabilidade pela aplicação da lei, própria de qualquer administração democrática, e o papel do cidadão passou do papel de súdito, próprio do modelo burocrático, ao de cliente ou consumidor, e não como cidadão propriamente dito, ou seja, como sujeito ativo de direitos, a quem o governo deve ser capaz de representar. Na governança democrática, o papel do político não apenas é revalorizado em relação ao gestor ou gerente. Ele também deve ser capaz de gerir os serviços com eficácia e, como veremos, em função do seu impacto no desenvolvimento comunitário. Porém, sem dúvida, o mais importante é a nítida separação das funções de gerência ou gestão das funções e “papéis políticos” que a governança proporciona. No quadro seguinte são destacadas as diferenças citadas: 174 Governança Democrática: Construção coletiva do desenvolvimento das cidades