cultural, e à globalização da diversidade, segundo os especialistas.9 Porém, sem uma política ativa de respeito ao
pluralismo e de tolerância cultural, facilmente podem unirse, numa mesma visão segregacionista, a reafirmação da
identidade com a defesa fundamentalista das tradições,
costumes, e uma intolerância às expressões culturais respeitosas dos direitos humanos dos novos cidadãos.10
Em resumo, a verdadeira globalização cultural acontece nos
municípios, nas cidades, que são o espaço de relacionamento,
de encontro, de formação de amizades e inimizades entre
pessoas de diferentes origens culturais. As cidades se encontram
ante um fenômeno com novas dimensões, e não somente o seu
futuro dependerá do tipo de ação coletiva que triunfe em cada
uma delas e das possibilidades de atuação dos governos locais,
como dependerá também a convivência do planeta, que cada
vez mais é um sistema de articulação de cidades.
Mudanças na família
A família formada por dois cônjuges e seus descendentes é,
cada vez mais, apenas um dos diferentes modelos de família
que encontramos na cidade atual. Sobressai o aumento das
famílias monoparentais por diferentes razões:
• O envelhecimento da população faz com que existam cada
vez mais famílias monoparentais pelo falecimento de um
dos cônjuges, geralmente o homem, devido à maior expectativa de vida da mulher. Este fato se vincula à separação
física dos pais e filhos no território metropolitano. Isto difi9 Ver, por exemplo, BECK, Ulrich. La democracia y sus enemigos. Madrid: Paidós,
2000, e CASTELLS, Manuel. La era de la información. V. II. El poder de la identidad.
Madrid: Alianza, 2001.
10 Ver SARTORI, Giovanni. La sociedad multicultural. Madrid: Taurus, 2001.
Governança Democrática: Construção coletiva do desenvolvimento das cidades
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