Governança Democrática - 3ª Edição | Page 111

para que ocorra um desenvolvimento territorial endógeno, sustentável e sustentado no tempo. De fato, como consequência do aparecimento da sociedade em rede ou sociedade do conhecimento, que transformou tanto a concepção do desenvolvimento econômico como a do desenvolvimento social, constatou-se que não são as infraestruturas que geram o crescimento econômico e a renda. Estas impactam a sociedade gerando produtividade e alto valor agregado apenas se inseridas na organização de redes sociais e empresariais. Este novo enfoque serviu para demonstrar a caducidade do ponto de vista anterior, e pode-se mostrar que o fundamental e prioritário é conseguir o avanço da coesão social, entendida como capacidade de organização e ação. Ao propiciar a utilização dos recursos físicos e humanos disponíveis, ela é que é capaz de gerar atualmente, por si mesma, não apenas um maior desenvolvimento da produtividade, e consequentemente da renda e dos serviços públicos, mas do desenvolvimento humano em geral, uma vez que promover a coesão de uma sociedade exige democracia e, naturalmente, sustentabilidade, isto é, capacidade de regeneração dos recursos do entorno territorial. A melhoria da capacidade de organização é um valor intangível, com maior impacto no desenvolvimento humano. Por desenvolvimento humano (econômico, social, cultural, sustentável e democrático) de um território, na atualidade, se entende, sobretudo, alcançar um diferencial entre o que uma sociedade faz e o que é capaz de fazer em relação ao seu entorno econômico e social. Pode-se objetar que esta definição é também válida para outros períodos históricos, o que é absolutamente certo. Entretanto, o predomínio do enfoque do pensamento da sociedade industrial e dos governos gestores e provedores, que atribuía o desenvolvimento econômico às infraestruturas e equipamentos, dificultava visualizar Governança Democrática: Construção coletiva do desenvolvimento das cidades 109