para que ocorra um desenvolvimento territorial endógeno,
sustentável e sustentado no tempo.
De fato, como consequência do aparecimento da sociedade em rede ou sociedade do conhecimento, que transformou tanto a concepção do desenvolvimento econômico
como a do desenvolvimento social, constatou-se que não são
as infraestruturas que geram o crescimento econômico e a
renda. Estas impactam a sociedade gerando produtividade e
alto valor agregado apenas se inseridas na organização de
redes sociais e empresariais. Este novo enfoque serviu para
demonstrar a caducidade do ponto de vista anterior, e pode-se
mostrar que o fundamental e prioritário é conseguir o avanço
da coesão social, entendida como capacidade de organização
e ação. Ao propiciar a utilização dos recursos físicos e humanos
disponíveis, ela é que é capaz de gerar atualmente, por si
mesma, não apenas um maior desenvolvimento da produtividade, e consequentemente da renda e dos serviços públicos,
mas do desenvolvimento humano em geral, uma vez que
promover a coesão de uma sociedade exige democracia e,
naturalmente, sustentabilidade, isto é, capacidade de regeneração dos recursos do entorno territorial.
A melhoria da capacidade de organização é um valor intangível, com maior impacto no desenvolvimento humano.
Por desenvolvimento humano (econômico, social, cultural,
sustentável e democrático) de um território, na atualidade, se
entende, sobretudo, alcançar um diferencial entre o que uma
sociedade faz e o que é capaz de fazer em relação ao seu
entorno econômico e social. Pode-se objetar que esta definição é também válida para outros períodos históricos, o que
é absolutamente certo. Entretanto, o predomínio do enfoque
do pensamento da sociedade industrial e dos governos
gestores e provedores, que atribuía o desenvolvimento econômico às infraestruturas e equipamentos, dificultava visualizar
Governança Democrática: Construção coletiva do desenvolvimento das cidades
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