Fraternidade. Releitura civil de uma ideia que pode mudar o mundo FRATERNIDADE_MANIERI | Página 23

Fraternidade. Releitura civil de uma ideia que pode mudar o mundo
Uma literatura agora vastíssima conta que já entramos numa fase diversa do mundo. Os Estados nacionais estão sob cerco; os laços tradicionais perderam grande parte da intensidade que outrora possuíam; as redes conceituais, que herdamos ou aprendemos a utilizar, revelam-se inadequadas e os modelos de vida justa, até agora publicamente reconhecidos, parecem não ter mais fundamento. Por isso, não se pode mais pensar em transpor para nossa época formulações do passado. Reconsiderar princípios ou elaborar e compartilhar novos tornou-se iniludível, se quisermos reconstruir os fundamentos da casa comum e reencontrar o sentido ético de uma nova relação indivíduo-sociedade, sob pena de pôr em risco nossa sobrevivência mesma como humanidade.
Sem ética, as sociedades não sobrevivem e a ética é tão só a manifestação de nossa humanidade.
Desmantelada grande parte da rede espaço-temporal que delimitava a potencialidade de nossas ações, não há mais possibilidade – adverte Bauman – de nos protegermos da teia global.
Podemos ser favoráveis ou contrários à nova interdependência planetária, mas“ equivaleria a ser a favor ou contra o próximo eclipse solar ou lunar”. 16 Esta é a situação em que, querendo ou não, levamos adiante nossa história comum.“ Mas concordar em se opor à forma desequilibrada que a globalização da condição humana assumiu até este momento é algo que pode fazer uma grande diferença”. 17
Não podemos mudar o curso do rio. A globalização é o novo, imenso reino da necessidade, o moderno hic Rodhus hic salta para as escolhas humanas; apesar disso, tais escolhas
16 Bauman, L’ etica in un mondo di consumatori, cit., p. 72. 17 Ibidem.
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