Fraternidade. Releitura civil de uma ideia que pode mudar o mundo FRATERNIDADE_MANIERI | Page 17
I
A fraternidade de que precisamos
O paradoxo de nosso tempo
Quando se diz fraternidade, o pensamento imediato vai
para sua concepção religiosa, em geral judaico-cristã.
Ao contrário, da fraternidade, em seu significado mais pro-
priamente civil e republicano, como princípio orientador do agir
público e como critério ético da decisão e da avaliação política e
social, desapareceram pouco a pouco os traços. Tanto é que dela
se fala como de um princípio esquecido. 1
O termo caiu praticamente em desuso no léxico público
contemporâneo.
As próprias formações políticas que historicamente nas-
ceram como resposta à demanda de fraternidade perderam, em
tempos de fundamentalismo liberista, o sentido e o alcance dela.
E esta também é uma das causas profundas de sua perda de
identidade, de seu estado irreconhecível e de seu declínio.
Até a palavra solidariedade, que constituiu no século XX a
declinação política mais importante da fraternidade, agora está
distante do contexto de lutas e reivindicações que acompa-
1 A. M. Baggio (org.), Il principio dimenticato. La fraternità nella riflessione politolo-
gica contemporanea, Roma, Città Nuova, 2007.
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