Fraternidade. Releitura civil de uma ideia que pode mudar o mundo FRATERNIDADE_MANIERI | Page 145
Fraternidade. Releitura civil de uma ideia que pode mudar o mundo
desenvolvimento de cada indivíduo”. 85 A alienação, a opressão, a
exploração são sofrimentos que obcecam Marx. “O ‘alívio dos
sofrimentos’ se tornou, não menos do que a liberdade, uma ideia-
-valor de nossos tempos, enquanto seu oposto (imposição de
sofrimentos) não mais pode ser adotado como valor”. 86
A quem luta contra a fome, a quem está exposto à opressão
e à guerra, a todos aqueles que jamais tomaram uma decisão e
pelos quais sempre decidiram os outros pode-se dizer: torna-te
um indivíduo, uma personalidade emancipada, livre e desenvol-
vida? “No mundo burguês dos sentimentos a humanidade em
geral era uma ideia reguladora, que só podia se tornar constitu-
tiva no âmbito da moral. Dela decorria o dever de respeitar, em
nós e nos outros, o homem, a dignidade humana, o ser livre.
E também hoje assim deve ser, mas só isto não basta mais”. 87
A humanidade não é mais uma ideia abstrata, mas sim um pro-
blema e deve, portanto, tornar-se uma ideia constitutiva.
As teorias filosóficas e as sociológicas, marxistas e não,
ligaram-se a este ou àquele princípio geral, à liberdade ou ao
alívio dos sofrimentos de nossos semelhantes reconhecidos
como irmãos, mas poucas entre elas conjugaram os dois valores.
Se suas orientações pudessem se combinar, se a liberdade pudesse
encontrar novo sentido, impulso e, ao mesmo tempo, regra e
limite na fraternidade, e assim vivida se tornasse critério de
valor para a ação prática no terreno civil, social e econômico,
talvez então – observa Heller – “as páginas vazias que herdamos
de nossos antepassados marxistas se encheriam de palavras sig-
nificativas numa era de responsabilidade planetária”. 88
85 Heller, L’eredità dell’etica marxiana, cit., p. 508.
86 Ibidem.
87 A. Heller, Teoria dei sentimenti, Roma, Riuniti, 1980, p. 298.
88 Heller, L’eredità dell’etica marxiana, cit., p. 509.
143