pernambucana o fez decidir-se por ela. Depois desse encontro, a outra jovem seguiu o caminho e eles nunca mais voltaram a conversar. Foi o início de um namoro que terminou no altar, para começar a nova vida, agora de casados.
Também teria que conhecer o sogro. Pelos relatos de Maria, ele sabia que o homem era daqueles de botar medo em qualquer um. Era cangaceiro e tinha fama de homem destemido. Mesmo tranquilo, porém temeroso com o que estava por vir, a viagem à Pernambuco foi marcada. Iria conhecer o pai de Maria.
Naquele dia o sol surgiu tímido. Sem hesitar, as nuvens tomaram conta do céu que dias atrás exibia um intenso azul. Francisco não tardou em fechar o cubículo e correu para o centro da cidade. Os passos largos revelavam a ansiedade tomou conta dele minutos antes. Ninguém deveria saber o que o estava prestes a comprar. A praça da cidade estava tranquila. Um dos poucos barulhos que se ouvia por ali vinha dos pássaros que cantarolavam no alto das árvores. Assim que chegou, Francisco entrou em uma lojinha instalada do outro lado da praça. Não teve dificuldades em fazer as compras. Pagou e voltou para casa. Com ele estavam um revólver calibre 22 e mais uma caixa com 50 balas para usar caso fosse preciso.
Alheia aos temores de Francisco, Maria não conseguia esconder a alegria. Logo a paisagem no intuito de distrair e ficar mais tranquilo. A estratégia dera certo, pelo menos até o ônibus parar no ponto final. Não tinha como voltar. Já estava lá. sol brilhava forte em Pernambuco. O casal saltou do ônibus que parou em frente ao carreador do sítio do pai de Maria. Eles caminharam pela estrada em direção à pequena casa coberta de palha que ficava uns poucos metros dali. No caminho, as árvores que formavam um corredor os protegiam do Sol. Mesmo calmo, Francisco esperava pelo pior, estava com medo de conhecer o cangaceiro. Não sabia ao certo o que poderia acontecer. Por via das dúvidas deixou o revólver preparado. O primeiro contato com o pai de Maria deixou Francisco de queixo caído, assustado, querendo não acreditar no que fizera.
O sogro estava na janela esperando pelos dois. Assim que os avistou saiu para receber o casal que vinha de terras distantes. O homem não era alto e tinha vestes simples. Era trabalhador e passava boa parte do tempo na roça, há alguns metros da casa. Foi nesse dia que o militar conheceu outra face do cangaço. Francisco foi recebido com um alegre e sincero:“ oh, meu genro...” e brindaram o encontro com um copo de suco muito apropriado para aquela tarde abafada. O cangaceiro o recebeu como um filho e ele se envergonhou da imagem que fez do futuro sogro apenas baseado no que diziam sobre o cangaço. Nada foi como ele pensou que seria. Os dias foram agradáveis e regados a muitas conversas. Francisco que não tinha como o que se preocupar. Percebera apenas como o preconceito o levou ao ridículo e voltou a esconder a arma, bem no fundo da mala, para que Maria, Francisco e o sogro jamais percebessem seu desatino.
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