Eu Tenho Histórias Edição Única | Page 190

Q uando chegavam excursões, inde- pendentemente do horário, ela saía de casa para recepcioná-los no hotel. A receita de Marina era simples, mas eficiente: divulgava desde a excelên- cia do ensino superior, os templos reli- giosos da cidade, a qualidade de vida dos maringaense, até as opções de saúde e lazer. Essa forma de divulgação desper- tou a curiosidade e o interesse das pes- soas em conhecer Maringá. N ão tardou para que outro empreen- dimento hoteleiro se interessasse pelas habilidades de Marina. Já bem con- hecida e espeitada no meio empresarial, rece- beu uma proposta para gerenciar o Hotel Medianeira (distante 360 km de Maringá). E esse novo trabalho iria se tornar uma de suas maiores experiência de vida. r E m Medianeira teve experiências com todo tipo de pessoas, porque ali era uma rota para Foz do Iguaçu e Paraguai. C onheceu desde empresários a ban- didos e traficantes. Tornou-se uma mulher de braço forte em suas decisões e ações, diante de circunstâncias compli- cadas e perigosas. Resistir a uma propos- ta de suborno para acobertar hospedes mal intencionados foi a principal delas. E isso levou Marina a novamente tomar as rédeas do próprio destino: preferiu sair do hotel e voltar a Maringá, abrindo o próprio negócio no ramo de lanchonetes. M as esse tipo de trabalho não era para ela. Ficar atrás de um balcão, não lhe parecia trazer desafios. Foi en- 190 tão que decidiu por em prática o sonho de ir morar nos Estados Unidos. Nova York foi a primeira parada. Seguiu para Orlando, no Estado da Flórida, e por fim para cidade que seria sua morada, Kissimmee, nas mediações perto de Or- lando. Lá recomeçou do zero, como ca- mareira em um hotel. A diferença é que ganhava mais nessa função do que como gerente de hotel no Brasil. Ganhou visto de permanência de 10 anos nos Estados Unidos, mas decidiu que era hora de vol- tar quando seu único tio, José de Olivei- ra, perto da morte, manifestou o desejo de rever a sobrinha. Marina despediu-se dos EUA após viajar por alguns resorts na Flórida e, principalmente, conhecer a Disney. H oje com 60 anos, ela está há mais de dez desenvolvendo trabalho vol- untário junto a uma entidade beneficen- te de Maringá, conhecida como Sopão da Dona Tereza. Ajuda na coleta de produ- tos e de todo tipo de doação. É uma das pessoas mais atuante na entidade. A lguns dias da semana vai à Ceasa, ao bolsão de alimentos, limpa, selecio- na e transporta os alimentos para serem distribuídos a diversas pessoas carentes. N esses dez anos como voluntária, nunca recebeu qualquer ajuda fi- nanceira pelo seu trabalho e nem espe- ra retribuição de ninguém. Seus planos para o futuro são continuar ajudando a quem precisa, além de envolver-se no projeto de confecção de fraldas geriátri- cas numa igreja do bairro onde mora. Marina vive uma vida feliz, mantendo-se com a aposentadoria e renda de aluguel de dois imóveis que comprou ao longo de