Q
uando chegavam excursões, inde-
pendentemente do horário, ela saía
de casa para recepcioná-los no hotel.
A
receita de Marina era simples, mas
eficiente: divulgava desde a excelên-
cia do ensino superior, os templos reli-
giosos da cidade, a qualidade de vida dos
maringaense, até as opções de saúde e
lazer. Essa forma de divulgação desper-
tou a curiosidade e o interesse das pes-
soas em conhecer Maringá.
N
ão tardou para que outro empreen-
dimento hoteleiro se interessasse
pelas habilidades de Marina. Já bem con-
hecida e
espeitada no meio empresarial, rece-
beu uma proposta para gerenciar o
Hotel Medianeira (distante 360 km de
Maringá). E esse novo trabalho iria se
tornar uma de suas maiores experiência
de vida.
r
E
m Medianeira teve experiências com
todo tipo de pessoas, porque ali era
uma rota para Foz do Iguaçu e Paraguai.
C
onheceu desde empresários a ban-
didos e traficantes. Tornou-se uma
mulher de braço forte em suas decisões
e ações, diante de circunstâncias compli-
cadas e perigosas. Resistir a uma propos-
ta de suborno para acobertar hospedes
mal intencionados foi a principal delas. E
isso levou Marina a novamente tomar as
rédeas do próprio destino: preferiu sair
do hotel e voltar a Maringá, abrindo o
próprio negócio no ramo de lanchonetes.
M
as esse tipo de trabalho não era
para ela. Ficar atrás de um balcão,
não lhe parecia trazer desafios. Foi en-
190
tão que decidiu por em prática o sonho
de ir morar nos Estados Unidos. Nova
York foi a primeira parada. Seguiu para
Orlando, no Estado da Flórida, e por
fim para cidade que seria sua morada,
Kissimmee, nas mediações perto de Or-
lando. Lá recomeçou do zero, como ca-
mareira em um hotel. A diferença é que
ganhava mais nessa função do que como
gerente de hotel no Brasil. Ganhou visto
de permanência de 10 anos nos Estados
Unidos, mas decidiu que era hora de vol-
tar quando seu único tio, José de Olivei-
ra, perto da morte, manifestou o desejo
de rever a sobrinha. Marina despediu-se
dos EUA após viajar por alguns resorts
na Flórida e, principalmente, conhecer a
Disney.
H
oje com 60 anos, ela está há mais
de dez desenvolvendo trabalho vol-
untário junto a uma entidade beneficen-
te de Maringá, conhecida como Sopão da
Dona Tereza. Ajuda na coleta de produ-
tos e de todo tipo de doação. É uma das
pessoas mais atuante na entidade.
A
lguns dias da semana vai à Ceasa, ao
bolsão de alimentos, limpa, selecio-
na e transporta os alimentos para serem
distribuídos a diversas pessoas carentes.
N
esses dez anos como voluntária,
nunca recebeu qualquer ajuda fi-
nanceira pelo seu trabalho e nem espe-
ra retribuição de ninguém. Seus planos
para o futuro são continuar ajudando
a quem precisa, além de envolver-se no
projeto de confecção de fraldas geriátri-
cas numa igreja do bairro onde mora.
Marina vive uma vida feliz, mantendo-se
com a aposentadoria e renda de aluguel
de dois imóveis que comprou ao longo de