Eu Tenho Histórias Edição Única | Page 187

entes a deixarem para trás o Estado de origem, Minas Gerais chega o dia. A bolsa se rompe e, de parto natu- ral, nascem Marina e Jair, casal de gêmeos que imediatamente recebe o cos- tumeiro tapa do médico no bumbum, procedimento comum e necessário para provocar o choro, dando o início à respi- ração, enchendo de ar os pulmões dos recém-nascidos. E le construía as fossas nos quintais das casas. Mas mesmo em Maringá, a fome continuava a rondar naquela família. Aos 5 anos, Marina já sabia se expressar com palavras, mas procurava o alivio no choro e bebendo água, porque em muitas ituações não havia o que comer. s N esses momentos da realidade dos Oliveiras, palavras não amenizari- am o problema. T U A A odos os bebês choram por alguma razão e uma delas é quando sentem fome. Mas para Marina o que parecia é que a fome, a escassez e a miséria eram também membros. lguns anos mais tarde, nos fundos da casa dos Oliveiras, mudou-se uma família e a mulher precisava sair para trabalhar. Marina chegou a cuidar do filho do casal para conseguir algum dinheiro e ajudar nas despesas, porém o arquivo s expectativas de melhoras não vin- gavam e o motivo era falta de tra- balho. Francisco foi, então, aconselhado pelos familiares a mudar-se para Mar- ingá, um centro maior que na época, precisava muito da mão de obra espe- cializada em algo do qual ele já tinha ex- m dos trabalhos que, ainda como crianças, os irmãos faziam, era es- colher café, porque os pais eram contrat- ados para colher o grão e levavam al- guns sacos da colheita para casa. Marina aos 10 anos periência: o serviço de furador de fossa. Era até então ma atividade muito requisitada, já que a moderna rede de esgoto só viria a ser a melhor opção para o saneamento básico anos mais tarde. u marido da vizinha saía um pouco mais tarde e começou assedia-la. Ela, assusta- da, não foi mais trabalhar. rianças cuidando de crianças, como se fossem babás. Era comum naque- la época e novamente Marina foi con- tratada por outra família para cuidar de C Eu tenho: Histórias 187