entes a deixarem para trás o Estado de
origem, Minas Gerais chega o dia.
A
bolsa se rompe e, de parto natu-
ral, nascem Marina e Jair, casal de
gêmeos que imediatamente recebe o cos-
tumeiro tapa do médico no bumbum,
procedimento comum e necessário para
provocar o choro, dando o início à respi-
ração, enchendo de ar os pulmões dos
recém-nascidos.
E
le construía as fossas nos quintais
das casas. Mas mesmo em Maringá,
a fome continuava a rondar naquela
família. Aos 5 anos, Marina já sabia se
expressar com palavras, mas procurava o
alivio no choro e bebendo água, porque
em muitas
ituações não havia o que comer.
s
N
esses momentos da realidade dos
Oliveiras, palavras não amenizari-
am o problema.
T U
A A
odos os bebês choram por alguma
razão e uma delas é quando sentem
fome. Mas para Marina o que parecia é
que a fome, a escassez e a miséria eram
também membros.
lguns anos mais tarde, nos fundos
da casa dos Oliveiras, mudou-se
uma família e a mulher precisava sair
para trabalhar. Marina chegou a cuidar
do filho do casal para conseguir algum
dinheiro e ajudar nas despesas, porém o
arquivo
s expectativas de melhoras não vin-
gavam e o motivo era falta de tra-
balho. Francisco foi, então, aconselhado
pelos familiares a mudar-se para Mar-
ingá, um centro maior que na época,
precisava muito da mão de obra espe-
cializada em algo do qual ele já tinha ex-
m dos trabalhos que, ainda como
crianças, os irmãos faziam, era es-
colher café, porque os pais eram contrat-
ados para colher o grão e levavam al-
guns sacos da colheita para casa.
Marina
aos
10 anos
periência: o serviço de furador de fossa.
Era até então
ma atividade muito requisitada, já
que a moderna rede de esgoto só viria
a ser a melhor opção para o saneamento
básico anos mais tarde.
u
marido da vizinha saía um pouco mais
tarde e começou assedia-la. Ela, assusta-
da, não foi mais trabalhar.
rianças cuidando de crianças, como
se fossem babás. Era comum naque-
la época e novamente Marina foi con-
tratada por outra família para cuidar de
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