Ed. 320 - completa Setembro / Outubro - 2020 | Página 93
Fundamentação Teórica
A temperatura está associada a uma maior ou menor agitação dos átomos ou moléculas de um corpo. A
noção de quente ou frio tem que ser analisada com cautela, visto que nossos sentidos nem sempre são uma
fonte confiável de informação o que pode nos levar à interpretações errôneas (GOMES, MONTSERRAT, 2011).
Também é comum encontrar a definição errônea de que calor é a energia térmica que transita de um corpo para
outro, como decorrência natural da diferença de temperatura entre eles. O fluxo de calor ocorre do corpo de
maior para o de menor temperatura, quando existe diferença de temperatura. Todo corpo emite calor, exceto
se sua temperatura corresponder ao zero absoluto, ou seja, -273,15 ºC.
Os calçados foram criados a partir da constante busca do ser humano de atender suas necessidades básicas
de sobrevivência, sendo um meio de proteger os pés e atuar como elemento de conforto, o qual está associado
às características do produto, ou seja, conforto tem correlação com a flexibilidade do calçado, com a dureza do
solado e com as medidas da fôrma, microclima, dentre outros aspectos (OCHSMANN et al., 2016). O calçado de
segurança tem um propósito específico, que é a proteção das extremidades inferiores contra os possíveis riscos
presentes no local de trabalho, o que torna suas características dependentes do tipo de atividade laboral para
o qual será indicado (IRMANSKA, 2014).
No que se refere ao microclima no interior do calçado, o mesmo apresenta influências positivas e negativas
no desempenho motor e fisiológico do indivíduo. Estas influências podem ocasionar alterações na sensibilidade
dos pés, proliferação de fungos e bactérias, entre outros. Durante a utilização de calçados fechados, o calor e
umidade causados pelo movimento do corpo e o atrito interno entre o pé e os materiais utilizados no calçado
podem causar uma sensação de desconforto.
No Brasil existe uma normativa que quantifica o microclima do calçado, ou seja, a norma ABNT 14837
determina como devem ser realizados os testes com calçados para avaliação da temperatura interna. No que
se refere aos calçados de segurança, estes precisam apresentar essa variável bem controlada, com materiais
apropriados e inclusive palmilhas com nanopartículas que contribuam na inibição do odor, por exemplo, pois
em grande parte, o que define o microclima do calçado são os materiais utilizados na confecção do produto
(KORADECKA, 2012).
O ser humano busca uma forma de quantificar as mudanças de temperatura de um corpo desde os mais
antigos tempos. Em 1595, Galileu Galilei projetou um termômetro primitivo, o qual foi utilizado em pacientes
em hospitais, denominado termoscópio. Este equipamento consistia em um tubo capilar, com marcas de escala
de temperatura, preenchido com álcool. Através das mudanças de temperatura, os gases presentes dentro do
tubo sofriam dilatação, provocando alteração na disposição no volume do líquido dentro do tubo. A partir deste
marco, pôde-se estabelecer uma diferença entre as medições subjetivas e objetivas da temperatura.
Com o avanço das tecnologias e do olhar científico, diversas formas de se quantificar a temperatura foram
estabelecidas. Atualmente, os principais sensores de temperatura são do tipo: termopares, termômetros de
resistência elétrica (metálicos ou semicondutores) ou chips que já vêm com sensores encapsulados e com
circuito eletrônico (alguns até com dispositivo Wi-Fi). O melhor sensor para dada aplicação depende da
linearidade, tempo de resposta, precisão, custo, dimensões, dentre outros aspectos. Ainda é possível notar as
mais diversas formas de geometrias utilizadas nestes equipamentos, abrangendo diversas aplicações, como
demonstrado pela Figura 1, onde aparece um transdutor do tipo anel e um sensor do tipo infravermelho (sem
contato) (DOEBELIN, 2003).
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