OS IMORTAIS
UMA LUZ EM TEMPOS DE ESCURIDÃO
27 DE FEVEREIRO DE 1933 - 22 DE SETEMBRO DE 2023 AMÉRICO LOPES
Na história dos clubes há , pelo menos , duas categorias de heróis . Os mais celebrados são os que se destacam nas grandes vitórias e contribuem de forma determinante para as maiores alegrias dos adeptos . Mas há outros – mais raros , no caso do FC Porto – que são os que brilham no meio da escuridão . Pequeninas luzes , como no poema de Jorge de Sena . Foi o caso de Américo , o guarda-redes que conquistou os portistas e alcançou o estatuto de herói durante uma das fases mais difíceis da história do clube . O guarda-redes eterno que defendeu o FC Porto quando era mais difícil fazê-lo , morreu aos 90 anos .
TEXTO : DIOGO FARIA
A
27 de fevereiro de 1933 , Américo Ferreira Lopes nasceu em Santa Maria de Lamas , no concelho de Santa Maria da Feira . Conhecido simplesmente como Américo , ingressou no FC Porto pela porta da equipa de juniores e logo se destacou pela segurança com que defendia a baliza azul e branca . Subiu cedo à equipa principal e tornou-se reserva do mítico Barrigana , tendo disputado o primeiro jogo oficial em dezembro de 1952 , ano da inauguração do Estádio das Antas . Depois de um empréstimo ao Boavista e de ter cumprido o serviço militar , Américo fixou-se nas Antas em 1958 / 59 – ano em que realizou um jogo e sagrou-se campeão nacional – e tornou-se titular indiscutível a partir de 1961 / 62 e até 1968 / 69 . Foi o tempo suficiente para se tornar uma lenda . Em anos muito difíceis , sobretudo para quem representava o FC Porto , Américo afirmou-se como um dos melhores jogadores da liga portuguesa na década de 1960 e foi distinguido com a primeira edição do prémio Baliza de Prata , destinado ao melhor guarda-redes nacional , em 1964 . No FC Porto , clube em que ajudou a conquistar uma edição da Liga portuguesa e outra da Taça de Portugal , foi galardoado com o Troféu Pinga , em 1966 , e com o Dragão de Ouro na categoria Recordação do Ano , em 2017 . Pela seleção de Portugal , participou em 15 jogos e integrou o plantel que participou no Mundial de 1966 , em Inglaterra – não disputou qualquer encontro , o que , segundo testemunhos da época , hipotecou as hipóteses de Portugal ser campeão do mundo . Américo foi o último sobrevivente da equipa que venceu o “ campeonato-Calabote ” e permaneceu até ao fim um ídolo de diversas gerações e um testemunho vivo de lealdade e perseverança no amor ao FC Porto . Morreu a 22 de setembro de 2023 , aos 90 anos de idade . Foi homenageado no Estádio do Dragão e Jorge Nuno Pinto da Costa garantiu que o clube está “ preparado para honrar a memória ” de “ um grande guarda-redes , mas sobretudo um grande homem ”.
65 REVISTA DRAGÕES OUTUBRO 2023