Dragões #433 Dez 2022 | Page 50

SÉNIOR AOS 15 ANOS
HÓQUEI EM PATINS

SÉNIOR AOS 15 ANOS

Convidado a lembrar os tempos em que iniciou a prática na modalidade , Ezequiel Mena recorda o “ esforço enorme ” que lhe permitiu alcançar o “ sonho de menino ”. “ Desde que me estreei no hóquei em patins sénior com 15 anos , ainda na Argentina , que tinha o sonho de vir para a Europa e jogar numa equipa como o FC Porto , ser convocado para a seleção e ganhar títulos ”, afirmou , ainda que a primeira experiência no Oeiras não tenha sido repleta de vitórias . Mesmo assim , “ foi extremamente positiva ”. “ Aprendi a passar mal e a valorizar as coisas boas , sabendo que já estive pior e que há sempre oportunidade para dar a volta ”. No Barcelos , a experiência ficou marcada pela pandemia , em que ficou “ fechado cerca de quatro meses em casa , sozinho ”. Por fim , no FC Porto , trabalha “ sempre da mesma forma , no máximo , para estar disponível para ajudar a equipa a vencer ”.
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minutos , que Portugal ia insistir por todo o lado para tentar pelo menos o empate e nós sentimos que jogámos o Mundial nesses dois minutos . Não queríamos que o jogo se estendesse para prolongamento ou para as

“ FALÁMOS POUCO ANTES DO JOGO , PORQUE NÃO HAVIA MUITO TEMPO . DURANTE O JOGO JÁ HOUVE MAIS , ATÉ ME PIQUEI UM POUCO COM O GONÇALO ALVES , O QUE É PERFEITAMENTE NATURAL . GOSTAMOS DA COMPETIÇÃO E É ALGO QUE FAZEMOS REGULARMENTE NOS TREINOS , PARA TRAZER O MELHOR DE CADA UM .”

grandes penalidades , porque aí tudo pode acontecer . Tentamos defender com tudo o que tínhamos e que o tempo passasse o mais rápido possível ”, admitiu .
O GOLO No último ímpeto de Portugal , Gonçalo Alves rematou e a bola sobrou para o stick de Ezequiel Mena . “ A verdade é que a bola pesava . Naquele momento , vemnos tudo à cabeça : o contexto , as pessoas à tua volta e quem tinhas pela frente . Tentei ter toda a calma possível para definir da melhor forma ”, confessou . Os segundos “ demoraram a passar ”. “ Foi como se fosse em câmara lenta . Os meus colegas até me questionaram por que razão não tentei marcar mais depressa , porque , depois de ver o lance , o João Rodrigues quase me conseguiu roubar a bola , mas nem reparei no momento . Por sorte , a bola entrou ”, admitiu . É um golo que vai ficar para sempre na história do hoquista . “ Ser campeão sem jogar já seria especial , mas podê-lo ser no
rinque e marcando na final é , sem dúvida , especial ”. Em San Juan , com o pavilhão cheio , a Argentina celebrou . “ Quando marquei o golo já estava a chorar . Nem gritei golo porque não
conseguia , por causa de todas
as emoções . Não se jogou nos segundos finais , porque Portugal percebeu o desfecho da final e o primeiro companheiro que encontrei foi o Conti . Abraçámonos e celebrámos , depois juntaram-se os outros colegas ”, lembra Ezequiel Mena , que destaca o momento de erguer o troféu como o mais especial . Na bancada estava a família , que já não via Mena a jogar desde que rumou a Portugal . “ Olhar para eles nas bancadas e lembrar-me de tudo o que eles passaram para eu poder estar onde estou hoje é inexplicável . Ficarei com esse momento para sempre . O facto de eles terem estado sempre ao
meu lado neste Mundial e poder conversar com eles antes e depois dos jogos foi especial . Os meus avós assistiram a um jogo e é algo que vou levar comigo para sempre . Foi muito bonito ”, admitiu .
DE VOLTA A CASA
Ezequiel Mena foi recebido com um abraço de Reinaldo García , que não esteve com a seleção em San Juan , mas nunca deixou de “ demonstrar apoio ”. “ Falámos durante o mês todo , ele aqui e eu na Argentina . Ele viveu este Mundial com muita paixão , mesmo estando longe . Também é campeão do mundo , porque sempre acreditou em nós ”,
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