Por todo o mundo , nas mais diferentes religiões e culturas , os dragões estão presentes . Nas ancestrais religiões da Anatólia ; entre as divindades centro-americanas pré-colombianas ; nos mitos sumérios ; nas sagas germânicas ; nas crenças xintoístas ; e , claro , nas escrituras das religiões abraâmicas , incluindo o cristianismo . E , se em alguns casos eles são associados a figuras maléficas ou diabólicas , noutros , pelo contrário , eles surgem como figuras do Bem e protetoras , criaturas que simbolizam a força e a luz . É na China , onde é designado como “ Long ”, que o dragão possui , possivelmente , o seu mais elevado estatuto , sendo considerado uma criatura sagrada , inteligente , semidivina e guardiã , fazendo parte do zodíaco chinês . Seres míticos , a eles se associa o controlo das estações , da chegada das chuvas fertilizantes , mas também do calor . Celebrados e cultuados pelo budismo , pelo taoismo e pelo confucionismo , os dragões chineses têm acompanhado a diáspora dos povos daquela região . Não admira , por isso , que , também no Porto , onde a comunidade chinesa vem crescendo ao longo das últimas |
décadas , eles estejam um pouco por toda a parte . Basta entrarmos num dos numerosos restaurantes chineses existentes na cidade para nos apercebermos da sua significativa presença nos mais diversos motivos decorativos . Mas , e a propósito de restaurantes chineses , vale a pena recordar aquele que foi o primeiro estabelecimento deste tipo que surgiu no Porto . Trata-se do “ Restaurante Chinês ” da Avenida Vímara Peres , conhecido popularmente como “ o chinês da ponte ”, devido à sua localização próxima do tabuleiro superior da ponte Luis I . Fundado em 1966 por Chow Horng Tze , contou , na sua conceção , com a colaboração do arquiteto Francisco Pessegueiro e da sua esposa , a conceituada pintora Helena Abreu , que pintou os dragões que ainda hoje dominam a sala de entrada do restaurante . Interessante é , também , a presença na cidade da “ dança do dragão ” – uma tradição antiquíssima na China , fazendo parte do seu Património Cultural intangível . Importante manifestação em todo o território chinês durante séculos , é hoje um espetáculo artístico que continua a suscitar admiração . Para tal contribuem de um modo decisivo as acrobacias |
Os dragões do “ chinês da ponte ”, obra da conceituada pintora Helena
Abreu
dos elementos das companhias de dança que , com varas de bambu , seguram e agitam a cabeça , corpo e cauda do dragão que , não raras vezes , atinge dez metros ou mais de comprimento . No Porto , no espaço dedicado ao contacto dos portugueses com a China e Macau no “ World of Discoveries ”, o dragão e a sua dança são utilizados como incontornável marca identitária daquela região do planeta . Mas , para lá desta representação estática , há quem no Porto assegure , com grande qualidade , este tipo de espetáculo . E não são chineses ! Com efeito , há já vários anos que a Escola de Artes Marciais Chinesas SHE-SI , localizada na Rua de Nossa Senhora de Fátima e fundada em 1986 pelo Mestre Paulo Araújo , discípulo direto do Grande Mestre Chinês Pún Chong Kúan , ministra , para lá de artes marciais , também desporto tradicional chinês incluindo
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o Mou Long ( Dança do Dragão ), sendo a única existente no país que integra tal disciplina cultural . Os dançarinos portuenses da SHE-Si têm-se apresentado em múltiplos espetáculos , integrando algumas das apresentações da equipa do FC Porto no início da época . Mas os dragões chineses podem estar , também , onde menos os esperamos . Até no icónico quartel de Santo Ovídio , na Praça da República , por muitos ainda designado como “ Quartel General ” da Região Norte . No notável , amplo e belo salão nobre daquele que é o mais importante e histórico quartel militar da cidade do Porto , construído em 1790 durante o reinado de Maria I , é possível observar um jarrão chinês de porcelana azul e branca decorado com uma cena de combate entre dois exércitos . Uma bela peça cerâmica cujas asas , que se desenvolvem no seu pescoço , são em forma de dragão . |
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