Dragões #413 Abr 2021 | Page 20

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“ TEMOS UM GRUPO QUE NÃO SE RENDE ”

A história de Sérgio Oliveira já tem muitos capítulos , mas nenhum tão épico como o de Turim . Um remate seco por baixo da barreira levou o universo azul e branco ao delírio , tal como todos os portistas em campo , que correram atrás do 27 . Desde a fase de grupos que tem sido um dos jogadores do FC Porto em maior destaque na Liga dos Campeões , estatuto confirmado nos oitavos de final . Tudo contado pelo homem que aos 115 minutos colocou os Dragões entre os oito melhores da Europa .

Em termos gerais , como analisa o desempenho da equipa na fase de grupos da Liga dos Campeões ? Foi fantástica . Sofremos poucos golos , o que não é nada fácil . Creio que podíamos ter feito um resultado melhor em Manchester , mas fizemos um excelente trabalho . Temos que ser Porto , dar o nosso máximo , e sermos uma equipa sólida . Se o fizermos , podemos enfrentar cara a cara qualquer adversário .
A equipa destacou-se em termos defensivos , ultrapassando esta fase como a terceira melhor defesa da prova . Muito trabalho desenvolvido no Olival para isso acontecer ? A preparação de cada jogo é essencial , mas a parte mental também . Temos sempre de encontrar a motivação necessária . No campeonato , as coisas não têm corrido bem nesse aspeto , temos sofrido golos que não estamos habituados a sofrer . Estamos conscientes disso e temos de olhar para o campeonato como se fosse a Liga dos Campeões .
Encontrou a Juventus nos oitavos de final , uma equipa que todos consideravam favorita . Como foi batalhar contra todas as previsões ? Quando uma equipa trabalha de forma séria e dedicada e tem a nossa atitude competitiva , não pode encarar um desafio com o pensamento nas previsões . Independentemente do adversário e respeitando todos ao máximo , há que fazer prevalecer a confiança no nosso grupo de trabalho e partir sempre com o pensamento na vitória . Foi o que fizemos .
O triunfo por 2-1 no Dragão foi conseguido com dois golos a abrir a primeira e a segunda parte . Foi importante entrar dessa forma depois de sair do balneário ? Creio que sim . Foram dois golos que trouxeram confiança , dois tónicos importantes em diferentes momentos do jogo . Começar um jogo destes praticamente a ganhar transmite uma confiança muito forte .
Costuma dizer-se que para os treinadores é fácil preparar em termos motivacionais os jogadores para os grandes jogos , mas como é para os jogadores gerir as emoções antes de um embate como o de Turim ? São jogos em que os níveis de motivação estão ao rubro . Para a equipa , o mais importante foi manter o foco nas tarefas individuais e coletivas . Viver o momento , mas não deixar que as emoções perturbem o discernimento e a lucidez , que se tornam decisivos em partidas com este grau de exigência .
Houve algum sentimento diferente quando bateu a grande penalidade na primeira parte ? Alguma pressão extra ? O mesmo sentimento e grau de responsabilidade máximo que sinto ao bater uma grande penalidade pelo FC Porto . Sabia que ainda havia muito jogo pela frente , independentemente do desfecho desse lance .
Ficaram com dez jogadores pouco depois do início da segunda parte e a Juventus igualou a eliminatória . Como é que a equipa conseguiu aguentar-se , física e psicologicamente , e manter os níveis máximos de intensidade , apesar da expulsão do Mehdi e do cansaço ? Tivemos de sofrer . O nosso grande
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