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viagem de Sérgio Conceição , de Nantes para o Porto . Nessa época foi campeão , mas demorou a assumir-se no onze . Foi uma época difícil para mim . No início da época , não ia ficar no FC Porto . O mister disse-me que eu ia ter poucas oportunidades , mas pedi-lhe para fazer a pré-época , porque queria lutar pelo meu lugar . Tive três meses em que ia sempre para a bancada . Quando fomos jogar ao Mónaco , por volta das 17h00 , ele pediu para falar comigo . Eu tinha a certeza de que não ia jogar . Estava a trabalhar bem e a evoluir , mas a equipa estava num momento bom e íamos fazer um jogo decisivo fora de casa . Disse-me que ia ser titular , para fazer apenas o que eu sabia e que não tinha de provar nada a ninguém . Felizmente , o jogo correu-me bem , ganhámos 3-0 na minha estreia na Liga dos Campeões . No entanto , a estreia de nada valia se não tivéssemos vencido , mesmo tendo feito um bom jogo . A partir daí , ganhei o meu espaço e tudo correu bem .
Viveu muitas épocas de títulos como adepto , agora vive as conquistas como jogador . O sentimento é o mesmo ? Foi uma sensação que nunca pensei viver . Por si só , chegar à equipa principal é difícil , chegar e vencer um título é ainda mais . É complicado conquistar um campeonato , não só aqui , mas em todo o lado . O futebol está cada vez mais difícil , as equipas trabalham , organizam-se e preparam-se melhor . Temos que ser fortes em todos os jogos para ganharmos um título e vencê-lo foi uma felicidade enorme .
E o seu primeiro campeonato foi conquistado no hotel … Até pegou fogo [ risos ]. Vou ser
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sincero , preferia ter sido campeão no campo , mas conquistá-lo no hotel foi uma sensação única . No dia seguinte , podemos festejá-lo em casa . Fiz um golo nesse jogo frente ao Feirense que nunca me vou esquecer .
Como foi ver o Mar Azul à volta do estádio naquele dia , cantando e festejando ? Foi uma maravilha . Já tinha visto o FC Porto ser campeão muitas vezes , mas assim , com tanta gente , acho que foi a primeira vez .
Depois dessa época , volta a ser emprestado . Como foi tomada essa decisão ? Na altura , decidimos que era melhor sair , porque eu queria jogar . Senti que precisava de jogar para evoluir . O mister teve uma palavra importante na decisão e eu também pedi para sair . Não me arrependo . Fui para a Grécia e conquistei o campeonato e a taça pelo PAOK , um clube pelo qual tenho um carinho especial . Fez-me evoluir , crescer , e talvez tenha sido esta decisão que me fez dar um passo importante na minha carreira .
Esse título na Grécia deve ter sido uma loucura … Eles são fanáticos pelo futebol , por isso acabou por ser diferente . Aqui , celebrei pelo clube do meu coração . Na Grécia , festejei um título que a equipa já não vencia há 30 anos . As pessoas estavam malucas , loucas . Poder fazer história dessa forma é uma sensação inexplicável .
Mais uma vez voltamos à determinação de nunca desistir . Regressa pela terceira vez a casa e assume-se como uma peça fundamental
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da equipa . Havia alguma motivação extra para o fazer ? Não , a minha motivação é sempre a mesma . Havia a motivação de sempre , de me tornar um jogador importante . Tenho a consciência de que , se não continuar a trabalhar e se não continuar a ser o Sérgio que sou diariamente , isto vai à vida . A importância de um jogador é um momento e esse momento tem que ser vivido ao máximo , caso contrário de nada vale .
Em fevereiro de 2019 receberam o Benfica , o jogo em que o FC Porto ficava fora da corrida pelo título como muitos já diziam . É o Sérgio que abre o resultado com um excelente golo . Se não foi o melhor para si , foi o mais importante ? Foi um golo muito importante . Na semana anterior , já tinha feito um golo ao Gil Vicente , fiz o golo que deu a vitória e que também foi muito importante , porque poderíamos ter ficado a 10 pontos se não ganhássemos esse jogo . Fizemos uma exibição sólida a pensar no clássico . Frente ao Benfica , tínhamos de ganhar ou ganhar . E é como tenho dito , foi um golo importante , mas só o foi porque vencemos o jogo .
O campeonato que ficou marcado pela pandemia e pela grande recuperação do FC Porto . Qual foi a maior arma da equipa para recuperar ? A crença . Acreditar no trabalho e no que se faz diariamente . Acreditar nas ideias do treinador . Essa crença nunca vai mudar . É a mesma que temos neste ano .
A época terminou sem adeptos nas bancadas , mas com uma dobradinha , que o FC Porto já
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não conseguia há alguns anos …
Foi muito diferente , foi um
sentimento estranho . Quando
conquistas um título , queres ir
para a rua festejar , queres celebrar
com a tua família , queres viver a
alegria dos adeptos . O facto de não
estarem presentes foi triste , tanto
é que os festejos não duraram
tanto tempo . Vives a alegria do
momento quando conquistas
um título , mas a envolvência e
a explosão dos adeptos é que
fazem a diferença . O futebol não
faz sentido sem os adeptos .
A final ficou marcada pela
expulsão do Luis Díaz ainda
na primeira parte . Por vezes ,
as arbitragens acabam por ser
também um adversário ?
Por vezes , é um sentimento de
tristeza , porque demos tudo e
mais alguma coisa dentro do
campo , mas nesse dia já estava
destinado , nada nos ia travar .
“ É muito exigente , cobra-te ao metro , aliás , ao centímetro , porque não estavas bem posicionado . Mas é essa exigência que nos faz competir ao mais alto nível . O mister tem um papel preponderante na nossa equipa e no clube .”
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REVISTA DRAGÕES ABRIL 2021 |