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Quarta-feira , 12 de setembro de 2001 . Apesar dos acontecimentos trágicos da véspera nos Estados Unidos , estava tudo preparado no Estádio das Antas para o jogo entre FC Porto e Juventus , da terceira jornada do Grupo E da Liga dos Campeões . Mas tudo mudou nessa manhã , quando a UEFA emitiu um comunicado a anunciar o adiamento do encontro - e de todos os outros previstos para aquele dia -, em consequência dos ataques terroristas no World Trade Center , em Nova Iorque , e no Pentágono , em Washington . Nessa altura , já tinha terminado o treino matinal dos Dragões e a Juventus regressaria a Itália nessa mesma tarde , pelas 15h00 . Voltou a 10 de outubro para empatar sem golos .
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Fundada em 1897 , a Juventus nasceu na rua , num banco do Corso Rei Umberto , uma das principais artérias da cidade de Turim , onde se juntava um grupo de estudantes apaixonados por futebol , o desporto que acabava de chegar de Inglaterra . A Piazza d ’ Armi foi o primeiro campo e o rosa a cor da primeira camisola , que seis anos mais tarde foi substituída pelas listas verticais brancas e pretas dos ingleses do Notts County . E foi já enquanto “ bianconeri ”, de branco e preto , que a Juve conquistou o primeiro título em 1905 , 18 anos antes de lhe ser colado o rótulo de “ Vecchia Signhora ”, a propósito da entrada em cena da família Agnelli , proprietária do grupo FIAT , que assume os destinos do clube há quase um século . Naquela altura , em 1923 , era frequente ouvir os operários chamar “ vecchi signori ” à elite abastada e aos grandes empresários da época , e com a eleição de Edoardo Agnelli para presidente o apelido de “ Vecchia Signora ” ( Velha Senhora ) parecia fazer todo o sentido , mesmo não deixando de ser uma suprema ironia . É que Juventus , o nome que os fundadores foram beber ao latim , significa juventude . O banco onde se reuniam para projetar a criação de um colosso é hoje uma das grandes atrações do museu da Juventus .
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FC Porto e Juventus encontraram-se pela primeira vez há mais de 36 anos em Basileia , na primeira final europeia jogada pelos Dragões , a da já extinta Taça das Taças . Os italianos colocaram-se em vantagem por Vignola , Sousa empatou , com aquele que ainda hoje considera ser o golo da vida dele , e Boniek fechou o resultado , fazendo falta sobre João Pinto antes de marcar , pormenor a que o árbitro alemão se mostrou indiferente . Adolf Prokop ainda fez mais , negando duas grandes penalidades ao FC Porto , quando Vermelhinho foi empurrado na área e quando Scirea jogou a bola com a mão no mesmo espaço . Os azuis e brancos não puderam dedicar a vitória ao acamado José Maria Pedroto , como tinham projetado à partida para a Suíça , e mais tarde viria a saber-se das ligações de Prokop aos serviços secretos da República Democrática Alemã e de uma visita do árbitro às instalações da FIAT , propriedade da família que gere os destinos da Juve há 98 anos , para que o alemão , apaixonado pelo desporto automóvel , pudesse tomar contacto com modelos de várias marcas detidas pelo grupo , como a Alfa Romeo , a Lancia , a Maserati e a Ferrari .
“ Podemos ser favoritos , mas temos de chegar a esses jogos em grande forma . Temos de enfrentar o FC Porto como fizemos com o Barcelona , no Camp Nou [ vitória por 3-0 ]: com as nossas convicções e vontade de jogar o nosso futebol .”
Pavel Nedved , vice-presidente da Juventus e vencedor da Bola de Ouro em 2003
REVISTA DRAGÕES FEVEREIRO 2021