Dragões #408 Nov 2020 | Page 53

53
“ A química é boa . […] Temos tempo para melhorar e para nos tornarmos o forte candidato ao título que queremos ser .”

53

Anunciado no início de julho como o primeiro reforço para a equipa de basquetebol , Larry Gordon está há pouco mais de três meses na Invicta , mas antes de vir já via jogos da equipa de futebol influenciado pelo amigo Max Landis , que reencontrou dois anos depois de terem partilhado o balneário na Alemanha . O extremo norte-americano tem 33 anos e é o jogador mais velho do plantel , mas a mentalidade que demonstra é a de um jovem sedento de vitórias e títulos em início de carreira . Essa é a energia que Larry Gordon transmite diariamente aos companheiros , como o próprio revela nesta entrevista à DRAGÕES .

O número 24 azul e branco reconhece que os constantes obstáculos criados pela pandemia prejudicam os jogadores e a dinâmica da equipa , mas este grupo “ tem o que é preciso ” para ser campeão e lutar por todos os troféus a nível nacional . O versátil e atlético extremo que se juntou à “ família do FC Porto ” no verão passado também não esquece os portistas que anseiam por voltar a ver um jogo de basquetebol no Dragão Arena : “ Os nossos adeptos são uma parte muito importante do nosso sucesso ”.

Como se proporcionou a vinda para o FC Porto ? Nessa altura tive boas possibilidades com os convites que recebi para ir para a Alemanha , a Islândia , a Roménia e até para a Ásia , mas o Max Landis enviou-me uma mensagem a dizer que o Moncho López estava à procura de um jogador para a posição de extremo e perguntoume se estava interessado . Respondi-lhe que dependia daquilo que o treinador quisesse , pois o que eu queria era ser parte do sucesso de uma equipa e não preencher apenas um lugar no plantel . Ele falou comigo sobre tudo e pareceu-me um encaixe perfeito . Algumas semanas depois assinei contrato e agora faço parte da família do FC Porto .
Já conhecia alguma coisa sobre o clube ou sobre a cidade antes de vir para o FC Porto ? A única coisa que conhecia do Porto era a equipa de futebol . Vi alguns jogos na época passada por causa do Max Landis , por isso também me familiarizei com a cultura do basquetebol do clube .
Falou com o Mocho López antes de vir ? Sobre o que falaram ? Sim . Antes de assinar contrato falámos durante uma hora ao telefone e ele disse-me o que esperava de mim e que queria que fosse parte do sucesso da equipa . Falámos sobre as boas possibilidades que temos de lutar pela conquista de todos os troféus a nível nacional .
Como tem sido a adaptação a uma nova equipa , a um novo clube e a uma nova realidade ? Demorou o seu tempo a integrarme na equipa , mas agora já sinto a dinâmica do grupo e a química é boa . Ainda é cedo , por isso temos tempo para melhorar e para nos tornarmos o forte candidato ao título que queremos ser .
O facto de o FC Porto ter vários jogadores norte-americanos no plantel torna tudo mais fácil ? É sempre mais fácil quando há outros norte-americanos na equipa , pois torna a transição para uma nova realidade mais suave . Mas faço um bom trabalho na interação com os meus companheiros portugueses e na construção de relações com eles .
O Max Landis é um velho amigo e companheiro de equipa , verdade ? Sim . Joguei com o Max Landis na Alemanha há dois anos . É uma grande pessoa e um lançador fantástico .
É o jogador mais velho da equipa . Isso dá maior responsabilidade dentro do grupo ? Não necessariamente , pois sou novo na equipa . Temos bons capitães , como o Miguel Queiroz e o Brad Tinsley , que assumem essa responsabilidade . Dou o
meu melhor para ser também um exemplo . Vou cedo para o treino , fico até tarde e treino e jogo com toda a minha energia . Quero mostrar-lhes que sou o mais velho , mas que vou jogar sempre nos meus limites .
Como é que o Larry Gordon se define enquanto jogador ? Sou um jogador humilde e versátil . Tenho orgulho na minha capacidade defensiva , sou forte nos ressaltos e posso marcar pontos de várias maneiras . Jogo sempre para ganhar , marque dois ou 25 pontos .
A versatilidade que oferece à equipa permite que jogue em várias posições , mas há alguma em que se sinta mais confortável ? Sim , sou abençoado por ter a capacidade de jogar em várias posições . As posições 2 [ base / extremo ] e 3 [ extremo ] são aquelas em que me sinto mais confortável .
Depois de muitos anos a jogar por esse mundo fora , já tem muita experiência internacional acumulada . Procura transmitir essa experiência para a equipa e , em particular , para os atletas mais novos ? Esta é a minha 12 .ª época a jogar no estrangeiro e sinto-me abençoado por ser basquetebolista profissional há tanto tempo . Acredito que a minha experiência é importante para a equipa , pois já passei por todas as situações enquanto jogador . Aprendi

“ A química é boa . […] Temos tempo para melhorar e para nos tornarmos o forte candidato ao título que queremos ser .”

muito com os erros ao longo dos anos e isso fez-me crescer como pessoa e jogador .
Além da experiência , o que é que Larry Gordon acrescenta à equipa do FC Porto ?
REVISTA DRAGÕES NOVEMBRO 2020