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também em Viana do Castelo,
Vila Real, Bragança e Viseu. A
Área Metropolitana de Lisboa
é outro polo agregador de
um número significativo de
sócios portistas – em 1977,
porventura como resultado
das migrações internas, já
havia vários sócios na capital
do país, mas eram menos e
estavam muito mais isolados.
Nas regiões mais despovoadas
do interior e do Alentejo, o
número de filiados também
cresceu, ficando evidente que
o portismo já tem expressão
em todo o território nacional.
François Guichard quiçá
tenha exagerado quando
escreveu no seu estudo que “o
Futebol Clube do Porto, talvez
melhor do que a cidade no seu
conjunto, conseguiu tornarse
a verdadeira expressão
socio-desportiva do Norte
inteiro face à capital”. Apesar
de nessa altura o discurso de
representação da região já
ter sido assumido por vários
dirigentes, o que é certo é que
a geografia dos sócios do clube
não o validava plenamente.
Hoje o cenário já é muito
distinto. O FC Porto ultrapassou
as fronteiras do Porto, dominou
o Norte e implantou-se em todo
o país, enquanto nos estádios,
nos pavilhões, nas pistas e
nas estradas conquistava
Portugal e o mundo. É hoje,
sem qualquer dúvida, um
clube com raiz numa cidade,
orgulhoso representante
de uma região, e que tem
expressão nacional porque
alcançou escala internacional.
REVISTA DRAGÕES SETEMBRO 2020