71
competitivo. Vimos um Porto Vólei,
que era considerado por muitos
um outsider, a terminar nos
quatro primeiros lugares; vimos,
também, um AVC Famalicão que,
apesar de ter perdido algumas
atletas, restruturou-se e terminou
também nos quatro primeiros;
vimos um Leixões que se assumiu
desde o início como candidato às
três competições nacionais e não
conseguiu um lugar nos quatro
primeiros; vimos um Sporting
que também não ficou nos quatro
primeiros lugares da tabela; vimos
um Desportivo das Aves que com
oito jogadoras estrangeiras e
um investimento muito grande
também não conseguiu ficar
treinar, porque no domingo temos
que nos apresentar no melhor
possível para ganhar, porque
estar nesta casa assim nos obriga.
Fomos competentes até agora e
tenho a certeza de que vamos
fazer de tudo para sermos ainda
mais competentes no que resta
da época, nos play-offs. Costumo
dizer que agora é que começa a
melhor parte.
A AJM/FC Porto terminou a
primeira fase no primeiro lugar
e por isso vai discutir a presença
na final do play-off com o AVC
Famalicão, quarto classificado.
Os dois jogos da fase regular
ditaram duas vitórias para a sua
de passar à final e porque, no
fundo, o Famalicão sabe que, se
nos vencer, pode ser o principal
candidato ao título.
Passando em revista todo o
percurso de agosto a março, que
momentos-chave destacaria?
Destacaria quatro. Em primeiro
lugar, a pré-época e a forma
como chegámos à final do
torneio com equipas mais fortes.
Serviu de clique para mostrar
às jogadoras que trabalhando
conseguem chegar a um patamar
de excelência. Em segundo
lugar, a forma como ganhámos
a Supertaça, um troféu que
queríamos vencer. Estivemos
“Representar este clube implica jogar sempre para
ganhar. Fomos competentes até agora e tenho a
certeza de que vamos fazer de tudo para sermos ainda
mais competentes no que resta da época, nos play-offs.”
concluiu a fase regular no
primeiro lugar, com 59 pontos,
20 vitórias e perdendo apenas
por duas vezes (Sporting e
Porto Vólei) num campeonato
competitivo. Como analisa estes
números?
Na nossa perspetiva, e ste s
números são muito positivos.
Pe rde mos do i s j ogos, s e te
pontos no total da primeira
fase da competição e isso é
bastante satisfatório. Não nos
podemos esquecer que este
ano o campeonato é muito
nos quatro primeiros lugares de
acesso ao play-off da divisão de
elite. E num campeonato em que
há sete ou oito equipas com valor
desportivo e individualidades
para lutar por um título, conseguir
vencer 20 jogos em 22 demonstra
mérito e competência da nossa
parte. Estamos orgulhosos e
satisfeitos com este nosso trajeto
que começámos a 11 de agosto.
Disse que a equipa até agora
foi competente, mas que para o
play-off teria de ser uma equipa
ainda mais competente.
Representar este clube implica
jogar sempre para ganhar. Temos
de ter estofo para lidar com o
peso da camisola diariamente
e para perceber que, de cada
vez que entramos na porta do
pavilhão, o único pensamento é
equipa. Que adversário e que
jogo é que está em perspetiva?
A meu ver, o play-off tem duas
características. A primeira é que
todos os resultados que ficaram
para trás e a própria classificação
deixam de ser relevantes. A
classificação deu-nos apenas a
vantagem do fator casa, com três
de cinco jogos em nossa casa,
ainda que comecemos a jogar
fora. Numa perspetiva teórica,
o primeiro classificado é mais
favorito do que o quarto, mas o
jogo decide-se dentro do campo.
E estou em crer que, se nós formos
competentes e sérios, temos
todas as condições criadas para
ultrapassar este AVC Famalicão.
S a b e n d o d e a nte m ã o q u e
vamos encontrar um adversário
motivado, porque é um play-off
com 50/50 de possibilidades
a perder por 2-0 até de alguma
forma ingrata, porque estivemos
s e m p re n a f re nte d e s s e s
sets e nas partes finais não
conseguimos ter estabilidade
emocional para os fechar. E
quando e stávamos me smo
no limite das dificuldades,
coletivamente soubemos dar
a volta. E, mais uma vez, isso
foi para nós um clique muito
importante. Em terceiro lugar,
termos a humildade de perceber
que na altura do Natal tínhamos
de abdicar de férias em prol de
um objetivo desportivo. E, por
último, conseguirmos ultrapassar
a derrota com o Sporting, a
primeira da época. Pior do que
a derrota em si, foi a viagem de
três horas para o Porto, com toda
a gente no autocarro sem saber
muito bem o que dizer.
REVISTA DRAGÕES MARÇO 2020