Dragões #400 Mar 2020 | Page 71

71 competitivo. Vimos um Porto Vólei, que era considerado por muitos um outsider, a terminar nos quatro primeiros lugares; vimos, também, um AVC Famalicão que, apesar de ter perdido algumas atletas, restruturou-se e terminou também nos quatro primeiros; vimos um Leixões que se assumiu desde o início como candidato às três competições nacionais e não conseguiu um lugar nos quatro primeiros; vimos um Sporting que também não ficou nos quatro primeiros lugares da tabela; vimos um Desportivo das Aves que com oito jogadoras estrangeiras e um investimento muito grande também não conseguiu ficar treinar, porque no domingo temos que nos apresentar no melhor possível para ganhar, porque estar nesta casa assim nos obriga. Fomos competentes até agora e tenho a certeza de que vamos fazer de tudo para sermos ainda mais competentes no que resta da época, nos play-offs. Costumo dizer que agora é que começa a melhor parte. A AJM/FC Porto terminou a primeira fase no primeiro lugar e por isso vai discutir a presença na final do play-off com o AVC Famalicão, quarto classificado. Os dois jogos da fase regular ditaram duas vitórias para a sua de passar à final e porque, no fundo, o Famalicão sabe que, se nos vencer, pode ser o principal candidato ao título. Passando em revista todo o percurso de agosto a março, que momentos-chave destacaria? Destacaria quatro. Em primeiro lugar, a pré-época e a forma como chegámos à final do torneio com equipas mais fortes. Serviu de clique para mostrar às jogadoras que trabalhando conseguem chegar a um patamar de excelência. Em segundo lugar, a forma como ganhámos a Supertaça, um troféu que queríamos vencer. Estivemos “Representar este clube implica jogar sempre para ganhar. Fomos competentes até agora e tenho a certeza de que vamos fazer de tudo para sermos ainda mais competentes no que resta da época, nos play-offs.” concluiu a fase regular no primeiro lugar, com 59 pontos, 20 vitórias e perdendo apenas por duas vezes (Sporting e Porto Vólei) num campeonato competitivo. Como analisa estes números? Na nossa perspetiva, e ste s números são muito positivos. Pe rde mos do i s j ogos, s e te pontos no total da primeira fase da competição e isso é bastante satisfatório. Não nos podemos esquecer que este ano o campeonato é muito nos quatro primeiros lugares de acesso ao play-off da divisão de elite. E num campeonato em que há sete ou oito equipas com valor desportivo e individualidades para lutar por um título, conseguir vencer 20 jogos em 22 demonstra mérito e competência da nossa parte. Estamos orgulhosos e satisfeitos com este nosso trajeto que começámos a 11 de agosto. Disse que a equipa até agora foi competente, mas que para o play-off teria de ser uma equipa ainda mais competente. Representar este clube implica jogar sempre para ganhar. Temos de ter estofo para lidar com o peso da camisola diariamente e para perceber que, de cada vez que entramos na porta do pavilhão, o único pensamento é equipa. Que adversário e que jogo é que está em perspetiva? A meu ver, o play-off tem duas características. A primeira é que todos os resultados que ficaram para trás e a própria classificação deixam de ser relevantes. A classificação deu-nos apenas a vantagem do fator casa, com três de cinco jogos em nossa casa, ainda que comecemos a jogar fora. Numa perspetiva teórica, o primeiro classificado é mais favorito do que o quarto, mas o jogo decide-se dentro do campo. E estou em crer que, se nós formos competentes e sérios, temos todas as condições criadas para ultrapassar este AVC Famalicão. S a b e n d o d e a nte m ã o q u e vamos encontrar um adversário motivado, porque é um play-off com 50/50 de possibilidades a perder por 2-0 até de alguma forma ingrata, porque estivemos s e m p re n a f re nte d e s s e s sets e nas partes finais não conseguimos ter estabilidade emocional para os fechar. E quando e stávamos me smo no limite das dificuldades, coletivamente soubemos dar a volta. E, mais uma vez, isso foi para nós um clique muito importante. Em terceiro lugar, termos a humildade de perceber que na altura do Natal tínhamos de abdicar de férias em prol de um objetivo desportivo. E, por último, conseguirmos ultrapassar a derrota com o Sporting, a primeira da época. Pior do que a derrota em si, foi a viagem de três horas para o Porto, com toda a gente no autocarro sem saber muito bem o que dizer. REVISTA DRAGÕES MARÇO 2020