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VENCEREMOS
E
ste mês vivemos os tempos
mais difíceis da nossa existência
coletiva. Portugal, mesmo
no século XX, já passou por guerras e
epidemias, já enfrentou graves crises
políticas, económicas e financeiras, já viu
muitas vidas perdidas ou destruídas pelos
motivos mais tristes, mas o que se passa
neste princípio de 2020 é diferente. Pela
primeira vez, vimos como uma doença
altamente contagiosa pode, em poucos
dias, atravessar o mundo e colocar todas
as populações em risco. Quase de repente,
ficámos todos vulneráveis perante um
vírus que não escolhe idades, nem cores,
nem condições sociais, e que se torna mais
duro à medida que vamos sabendo do que
se passa noutros países, como Espanha e
Itália.
Momentos de exceção como este
exigem de todos união, responsabilidade
e solidariedade. Só os laços que nos
ligam enquanto comunidade poderão
ajudar-nos a ultrapassar esta fase
com o mínimo de danos. E é por isso
que é tão importante que quem tem
a responsabilidade de nos guiar se
distinga pelo exemplo, pela firmeza
e pela capacidade de decisão. A esse
nível, o poder local tem sido notável.
E muita sorte têm tido as populações
de concelhos como o Porto, Ovar e
Vila Real, que têm sido brilhantemente
representadas por Rui Moreira, Salvador
Malheiro e Rui Santos.
Felizmente, não é só nos políticos
no ativo que o país encontra referências
cívicas e morais. A intervenção pública
recente do General Ramalho Eanes foi
uma verdadeira injeção de ânimo, de
resiliência e de verticalidade em toda a
nação. Entre 1976 e 1986, em tempos que
não foram pouco conturbados, o General
Ramalho Eanes foi o Presidente de todos
os portugueses. Todos estes anos depois,
sempre que o vejo, não duvido de que
ainda é um verdadeiro chefe do Estado
a que pertencemos.
É nestes exemplos que me apoio
para renovar um apelo a todos os
Dragões. Antes de voltarmos a todas
as outras lutas, temos este combate
para vencer. Vamos, cada um de nós,
fazer o que nos compete. Fiquemos em
casa os que pudermos ficar em casa.
Respeitemos os heróis que continuam
no terreno e que têm cuidado de nós
nos setores da saúde, da segurança, do
abastecimento, da comunicação social.
Quando isto passar, teremos muitas
novas alegrias para viver juntos. Deixo
um abraço para todos, e em especial
para o nosso campeão de boxe Mário
Lino, que já foi levado por esta doença
maldita.
Jorge Nuno Pinto da Costa