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N
a época de
estreia, Sérgio
Conceição
começou logo
por superar a
pontuação máxima atingida
pelo FC Porto num campeonato.
Com a prata da casa de volta
(Ricardo Pereira, Marega e
Aboubakar regressados de
empréstimos), os Dragões
foram a melhor defesa, o
melhor ataque, somaram
88 pontos e sagraram-se
campeões nacionais quatro
anos depois do último título
conquistado. Estava cumprido
o desígnio do técnico: manter
o Museu do FC Porto como
o único espaço capaz de
expor um pentacampeonato
e, desta forma, levar a equipa
à varanda dos Paços do
Concelho para ser banhada
pelo Mar Azul presente
na Avenida dos Aliados.
A segunda conquista chegou
logo em agosto. Os portistas
bateram o Desportivo da
Aves, no estádio de Aveiro, e
reforçaram a hegemonia
na Supertaça Cândido de
Oliveira, ao erguer o troféu
pela 21.ª ocasião em quarenta
edições. A época começara
de feição para o FC Porto, que
foi a melhor equipa na fase de
grupos da Liga dos Campeões
e igualou o recorde de pontos
(16) de 1996/97, quando Sérgio
Conceição era atleta do clube às
ordens de António Oliveira. Os
Dragões eram ainda líderes do
campeonato, até que uma série
de decisões insólitas, nos seus
jogos e nos do rival, inverteram
a marcha da Liga e fizeram
com que os 85 pontos em maio
de 2019 (a terceira melhor
pontuação da história do clube)
não fossem suficientes para
conquistar o 29.º título nacional.
Já na corrente temporada,
Sérgio Conceição atingiu a
centésima vitória no banco
portista e igualou Artur Jorge
como o técnico mais célere
a atingir a marca. O atual
treinador dos azuis e brancos
é o quinto com mais jogos (154)
orientados no clube, numa
tabela liderada por José Maria
Pedroto (com 321), aquele
que Sérgio considera “uma
inspiração, uma referência
pessoal e profissional”. Pinto
da Costa trabalhou de perto
com ambos e vê semelhanças:
“Penso que nunca tivemos
um treinador, e eu convivo e
convivi quase diariamente
com todos eles, com um
espírito mais parecido com
o que tinha Pedroto do
que Sérgio Conceição”.
À data em que Sérgio Conceição
comemorou mil dias de fato
azul e branco, o FC Porto era
líder isolado do campeonato
nacional e estava qualificado
para a final da Taça de
Portugal. Com as competições
interrompidas pelo estado de
emergência nacional, declarado
graças à pandemia do novo
coronavírus, o futuro é incerto,
mas o passado ninguém
apaga: 154 jogos, 112 vitórias,
22 empates, 20 derrotas, 336
golos marcados e 127 sofridos.
É este o legado atual de Sérgio
Conceição no FC Porto.
Sérgio Conceição
estreou-se na
qualidade de
treinador principal
há oito anos. Antes
de chegar ao Dragão,
em junho de 2017,
orientou Olhanense,
Académica, Sporting
de Braga, Vitória de
Guimarães e Nantes,
mas só no FC Porto
conquistou títulos: a
Liga de 2017/18 e a
Supertaça de 2018.
300
Sérgio Conceição
atingiu a marca
dos 300 jogos a
dirigir o FC Porto
a 27 de outubro
de 2019, com uma
vitória sobre o
Famalicão (3-0)
e no jogo em que
Fábio Silva - então
com 17 anos, três
meses e oito dias -
se tornou o mais
jovem jogador dos
Dragões a marcar
na Liga portuguesa.
Os azuis e brancos
somavam a sétima
vitória consecutiva
no campeonato,
apontando 18 golos
e sofrendo apenas
dois ao longo da
melhor sequência
do ano civil.
REVISTA DRAGÕES MARÇO 2020