Dragões #400 Mar 2020 | Page 14

“NA COLÔMBIA CELEBRÁMOS A VITÓRIA NA LIGA EUROPA COMO SE FOSSE NOSSA” O “h” que acrescentou ao nome de batismo surgiu por ocasião do primeiro autógrafo, quando a mãe lhe sugeriu que o fizesse por uma questão de estética, porque “ficava mais bonito”, ali mesmo no meio, entre o “t” e o “e”. Assim fez e assim ficou. Não se lembra do FC Porto campeão europeu, mas recorda com orgulho a vitória na Liga Europa, com a ajuda de Falcao, Guarín e James. Conta que na Colômbia festejaram o título como se fosse deles e reconstitui, mais adiante, o percurso, iniciado aos três anos, que o trouxe até “um dos melhores clubes do mundo”. O FC Porto venceu Liga dos Campeões em 2004, quando tinha 13 anos, e a Liga Europa em 2011, com Falcao, Guarín e James no plantel. Tem memória de alguma dessas conquistas? Da de 2004 não me recordo, mas da de 2011 sim, porque na Colômbia seguimos sempre e admiramos muito os nossos jogadores que estão na Europa. Foi um feito do FC Porto com James, Falcao, Guarín… Celebrámo-lo e sentimo-nos muito orgulhosos, como se fosse nosso. Completou 29 anos no dia 21 de março. Não vai esquecer nunca este aniversário, certo? Como poderia esquecê-lo, com tudo isto que se está a passar no mundo? Em casa, a minha família tornou o meu dia muito especial e o importante é que todos estamos bem. É lógico que não se poderá esquecer que tivemos que estar REVISTA DRAGÕES MARÇO 2020 fechados, sendo responsáveis em relação à situação atual. Como tem sido lidar com o isolamento imposto pela pandemia do novo coronavírus? Como se mantém em forma um jogador num regime de treino solitário? Como mata as saudades dos companheiros de equipa, do balneário e do relvado? Como já disse, o FC Porto agiu à altura e colocou tudo à nossa disposição, para podermos levar este isolamento e os treinos da melhor maneira. Em relação aos treinos, foi fácil, porque a minha esposa treina muito, é muito responsável com as nossas rotinas e a alimentação… É como ter o mister em casa em cima do meu treino (risos). A verdade é que sinto falta dos meus companheiros, de ir ao clube, de treinar no campo, de toda a nossa vida diária. E, claro, sinto muita falta dos jogos e dos estádios. Que videojogos tem jogado e que séries tem visto? Sou fã do “Call of Duty” para a PlayStation 4. Tenho um grupo de amigos na Colômbia com quem jogo online e chamamo-nos Clan Pitu. Com a minha família vejo muitos filmes familiares, procuramos os que podem ser vistos com os nossos filhos. Além das saudades do treino e do estádio, também tem saudades da cidade. O que mais aprecia na cidade do Porto? Os restaurantes. A minha esposa motiva-me muito para sairmos para almoçar e jantar e sinto falta desses momentos juntos, a desfrutar de uma bela refeição e de uma boa vista. No Porto abundam os bons restaurantes e os sítios com bonitos pores do sol que nos fazem passar momentos muito especiais juntos. Fale-nos dos seus tempos de criança em Medellín. Como nasceu a paixão pela bola e pelo futebol? Amo a minha cidade e tenho muito orgulho por ser de onde sou. É uma cidade muito “futeboleira”, onde 90 a 95% das pessoas gostam de futebol. A minha infância foi muito feliz, porque a minha família é muito unida e transmitiu-me bons valores. Gosto de futebol desde pequeno e nunca me senti atraído por outro desporto. Graças a Deus, tive sempre a sorte de ter o apoio da minha família, ainda que não fosse economicamente fácil para a minha