“NA COLÔMBIA CELEBRÁMOS
A VITÓRIA NA LIGA EUROPA
COMO SE FOSSE NOSSA”
O “h” que acrescentou ao nome de batismo surgiu por ocasião
do primeiro autógrafo, quando a mãe lhe sugeriu que o fizesse
por uma questão de estética, porque “ficava mais bonito”, ali
mesmo no meio, entre o “t” e o “e”. Assim fez e assim ficou. Não
se lembra do FC Porto campeão europeu, mas recorda com
orgulho a vitória na Liga Europa, com a ajuda de Falcao, Guarín
e James. Conta que na Colômbia festejaram o título como se
fosse deles e reconstitui, mais adiante, o percurso, iniciado aos
três anos, que o trouxe até “um dos melhores clubes do mundo”.
O
FC Porto venceu Liga
dos Campeões em
2004, quando tinha 13
anos, e a Liga Europa
em 2011, com Falcao, Guarín e
James no plantel. Tem memória
de alguma dessas conquistas?
Da de 2004 não me recordo, mas
da de 2011 sim, porque na Colômbia
seguimos sempre e admiramos
muito os nossos jogadores que
estão na Europa. Foi um feito do
FC Porto com James, Falcao, Guarín…
Celebrámo-lo e sentimo-nos muito
orgulhosos, como se fosse nosso.
Completou 29 anos no dia 21 de
março. Não vai esquecer nunca
este aniversário, certo?
Como poderia esquecê-lo, com
tudo isto que se está a passar no
mundo? Em casa, a minha família
tornou o meu dia muito especial e
o importante é que todos estamos
bem. É lógico que não se poderá
esquecer que tivemos que estar
REVISTA DRAGÕES MARÇO 2020
fechados, sendo responsáveis em
relação à situação atual.
Como tem sido lidar com o
isolamento imposto pela
pandemia do novo coronavírus?
Como se mantém em forma um
jogador num regime de treino
solitário? Como mata as saudades
dos companheiros de equipa, do
balneário e do relvado?
Como já disse, o FC Porto agiu
à altura e colocou tudo à nossa
disposição, para podermos levar
este isolamento e os treinos da
melhor maneira. Em relação aos
treinos, foi fácil, porque a minha
esposa treina muito, é muito
responsável com as nossas rotinas
e a alimentação… É como ter o mister
em casa em cima do meu treino
(risos). A verdade é que sinto falta
dos meus companheiros, de ir ao
clube, de treinar no campo, de toda
a nossa vida diária. E, claro, sinto
muita falta dos jogos e dos estádios.
Que videojogos tem jogado e que
séries tem visto?
Sou fã do “Call of Duty” para a
PlayStation 4. Tenho um grupo de
amigos na Colômbia com quem jogo
online e chamamo-nos Clan Pitu.
Com a minha família vejo muitos
filmes familiares, procuramos os
que podem ser vistos com os nossos
filhos.
Além das saudades do treino e do
estádio, também tem saudades
da cidade. O que mais aprecia na
cidade do Porto?
Os restaurantes. A minha esposa
motiva-me muito para sairmos para
almoçar e jantar e sinto falta desses
momentos juntos, a desfrutar de
uma bela refeição e de uma boa
vista. No Porto abundam os bons
restaurantes e os sítios com bonitos
pores do sol que nos fazem passar
momentos muito especiais juntos.
Fale-nos dos seus tempos de
criança em Medellín. Como
nasceu a paixão pela bola e pelo
futebol?
Amo a minha cidade e tenho muito
orgulho por ser de onde sou. É uma
cidade muito “futeboleira”, onde
90 a 95% das pessoas gostam de
futebol. A minha infância foi muito
feliz, porque a minha família é
muito unida e transmitiu-me bons
valores. Gosto de futebol desde
pequeno e nunca me senti atraído
por outro desporto. Graças a Deus,
tive sempre a sorte de ter o apoio da
minha família, ainda que não fosse
economicamente fácil para a minha