CICLISMO # 55
CICLISMO # 55
POLIVALÊNCIA Os 690,4 quilómetros da 68.ª Volta à Comunidade Valenciana foram os primeiros da época portista e logo numa competição internacional, ao lado de alguns dos nomes mais importantes da disciplina. Em Valência, entre as principais formações do World Tour, estavam corredores como Nairo Quintana( Movistar), vencedor da última edição da“ Vuelta”, Jonathan Castroviejo( Movistar), Michele Scarponi( Astana), Michal Kwiatkowski( Sky) ou Tony Martin( Katusha), enquanto na formação portista o principal destaque foi a estreia de Amaro Antunes, para seguir numa comitiva que contou ainda com o chefe de fila Gustavo Veloso e com Rui Vinhas, vencedor da Volta a Portugal. Tudo começou em Orihuela com um contrarrelógio coletivo, a 1 de fevereiro, com 37,9 quilómetros que até nem correram de feição à formação azul e branca. O 20.º posto entre 25 equipas e 4m27s de atraso para a vencedora( a norte-americana BMC) não foi o melhor arranque para os Dragões, que viriam a ser uma das formações em destaque nos restantes quatro dias de competição. Para isso em muito contribuiu um nome: Amaro Antunes. O estreante segurou o sexto posto da segunda etapa, o mesmo que arrecadou Samuel Caldeira no sprint que decidiu a terceira, mas o grande dia, reservado para a quarta etapa, acabou por ver brilhar novamente Amaro Antunes. Os 180,9 quilómetros da tirada rainha da“ Valenciana” contou com uma contagem de montanha de terceira categoria, duas de segunda e duas de primeira( entre as quais a meta) e também com uma primeira demonstração de grande classe de Amaro Antunes. O algarvio cruzou a meta no alto de Llucena
com 45 segundos de atraso para o consagrado colombiano Nairo Quintana( Movistar) e apenas a cinco do segundo posto de Merhawi Kudos( Dimension Data), segurando um brilhante lugar no pódio da etapa com três segundos de avanço para o holandês Wout Poels( Sky). A prova terminou no dia seguinte com nova chegada ao sprint em Valência e as contas a fecharem com Amaro Antunes no 20.º posto da geral, 4m17s atrás do vencedor, Nairo Quintana. No que à classificação coletiva diz respeito, os portistas terminaram no 13.º posto, a 54m10s da Movistar.
ALINHARAM NA PROVA AMARO ANTUNES( 20.º), RUI VINHAS( 71.º), JOAQUIM SILVA( 76.º), SAMUEL CALDEIRA( 83.º), GUSTAVO VELOSO( 101.º), RAÚL ALARCÓN( 122.º), ANTÓNIO CARVALHO( 123.º) E ANGÉL SÁNCHEZ REBOLLIDO( ABANDONOU)
A TREPAR O MALHÃO Terminada a competição em Valência, os Dragões seguiram para o Algarve, não para férias, mas para correrem a 43.ª Volta ao Algarve, prova que em 2017 teve o seu estatuto reforçado. De categoria 2.1, a algarvia viu a União Ciclista Internacional( UCI) subir-lhe o ranking para 2. HC, o que faz da prova a mais prestigiada a nível internacional disputada em território português. Por esse motivo, com os portistas viajaram alguns dos nomes mais sonantes do ciclismo mundial, estando à partida representadas 12 equipas do World Tour, seis do escalão continental profissional e sete do escalão continental( no qual se incluiu a W52-FC Porto-Mestre da Cor). Os 772,8 quilómetros dividiram-se por cinco etapas: um contrarrelógio individual( terceira), duas chegadas planas e duas chegadas em alto, onde se esperava o verdadeiro espetáculo. E assim foi, primeiro no Alto da Fóia, na chegada de primeira categoria ganha por Daniel Martin( Quick-Step) com 13 segundos de avanço sobre um Amaro Antunes em muito bom nível, quarto a cruzar a meta, e depois no Alto do Malhão. E se dúvidas ainda havia sobre as reais capacidades do algarvio, os derradeiros metros da volta à sua região desfizeram-nas: praticamente em casa, aproveitou o perfeito conhecimento do terreno( onde habitualmente treina) para não dar hipótese à concorrência e escrever o seu nome ao lado do de Alberto Contador( vencedor de 2016), como“ rei” do Malhão, numa etapa que já contava 11 anos sem ver um vencedor português. A espetacular escalada do portista à mais desejada meta deixou Vicente de Mateos( segundo) e Tiesj Benoo( terceiro) a 12 segundos e garantiu-lhe o quinto lugar da classificação geral, segurando também o estatuto de melhor português e melhor corredor à margem das formações do World Tour. A camisola amarela ficou com o esloveno Primoz Roglic( Lotto-Jumbo), seguido por Michal Kwiatkowski( Sky) e Tony Galoupin( Lotto-Soudal). Na classificação coletiva os Dragões seguraram o oitavo posto entre 25 formações.
PARTICIPARAM NA PROVA AMARO ANTUNES( 5.º), JOAQUIM SILVA( 26.º), RUI VINHAS( 65.º), RICARDO MESTRE( 75.º), ANTÓNIO CARVALHO( 64.º), RAÚL ALARCÓN( 86.º), JACOBO UCHA( ABANDONOU) E TIAGO FERREIRA( ABANDONOU)
REVISTA DRAGÕES fevereiro / março 2017