ANDEBOL # 47
ANDEBOL # 47
Corria o mês de julho de 2013 quando Leandro Semedo, então com 18 anos, entrou em campo para mais um jogo do Campeonato regional da sua ilha, Santiago, entre a primeira equipa que representou, o Desportivo da Praia, e a que então defendia, o ABC. Leandro não sabia, mas nas bancadas estava José Magalhães, que se tinha deslocado a Cabo Verde para lecionar num curso de treinadores. O diretor geral do andebol azul e branco só precisou de uma parte do encontro para ver nele grande potencial.“ No intervalo veio falar comigo e no dia seguinte marcou uma reunião comigo e com o Nelson de Jesus [ atual presidente da Federação cabo-verdiana ]. Fiquei entusiasmado e surpreso, porque as pessoas apontavam para outros jogadores, que estavam mais em destaque no campeonato”, recorda o andebolista. Só faltava o consentimento da mãe, que ficou“ insegura por deixar
o filho de 18 anos sair do país”, para se iniciar a ligação ao clube.“ A vida em Cabo Verde não nos permite deixar escapar uma coisa dessas. Tinha a oportunidade de mudar a minha vida e a da minha família”, conta o lateral esquerdo, que, a 5 de setembro de 2013, cerca de dois meses depois do primeiro encontro com José Magalhães, aterrava no Porto. Os primeiros tempos foram complicados, quer a nível de treino quer pessoal, mas hoje já se pode dizer que tudo valeu a pena: o cabo-verdiano tem somado cada vez mais minutos, tanto na defesa como no ataque, e está livre da timidez que ainda revela fora do campo.
O AMIGO GIL E OS TREINADORES MARCANTES Quando Leandro começou a treinar em Portugal, nos juniores e na equipa B do FC Porto, alinhava a pivô, devido à“ altura e corpo” que tinha. Mas então deu-se uma mudança de posto específico que se viria a revelar chave, nos“ bês”:“ Foi o Carlos Martingo [ atual treinador do Avanca ] que me pôs a lateral pela primeira vez. Ajudoume incansavelmente, debaixo de muitos berros, mas devo-lhe muito”, reconhece. Outras duas pessoas a quem agradece nesta fase de adaptação são o então treinador Obradovic e Gilberto Duarte, português mas filho de pais cabo-verdianos, que entretanto se transferiu para o Wisla Plock.“ Dentro e fora do campo, foi se calhar quem me ajudou mais. Tive muitas dificuldades, mas graças a Deus tive persistência e vontade.” A nível de treino, Leandro Semedo tinha finalmente tudo para evoluir, porque em Cabo Verde“ às vezes nem bola em condições havia”. A estreia na equipa principal deuse em outubro de 2014, no Dragão Caixa, frente à ADA Maia, equipa à qual foi emprestado na temporada passada. A experiência que então adquiriu revelou-se fundamental
REVISTA DRAGÕES fevereiro / março 2017