TEMA DE CAPA # 15
tenho essas características. Aqui luta-se até ao fim e nunca se desiste. Eu também sou assim.
Que diferenças encontrou no FC Porto em relação aos outros clubes que representou até agora? O profissionalismo, a grandeza, os jogadores, há tanta coisa diferente. Estou muito feliz por estar no FC Porto, um clube com uma dimensão enorme.
O FC Porto já esteve numa situação delicada, mas recuperou e está na luta pelo campeonato. O título nacional, mais do que um objetivo, é uma obsessão saudável para o grupo? Podemos dizer que sim. Vivemos e pensamos jogo a jogo. Ainda falta muito campeonato e, se Deus quiser, vamos comemorar no final.
O que é preciso para o FC Porto chegar ao título? É preciso manter os pés no chão, a humildade e continuar a trabalhar forte todos os dias. E ter fé.
O apoio dos adeptos tem sido fundamental para a equipa, inclusive nos jogos fora? É muito importante. Em Guimarães e no Bessa, por exemplo, foi incrível. Quando nos sentimos mais cansados ou o adversário está por cima, é nos nossos adeptos que vamos buscar forças. Que continuem sempre a apoiar-nos pois vamos dar a vida pelo FC Porto.
Já o compararam a Derlei e a Hulk, dois brasileiros com lugar privilegiado na história do FC Porto. Sente que tem um pouco de ambos ou o Soares é simplesmente o Soares, alguém que quer fazer a sua própria história no FC Porto? São dois jogadores que fizeram história no FC Porto e é natural que possam servir de inspiração para mim, sobretudo o Hulk, que é meu conterrâneo, mas procuro apenas ser o Soares, com o meu futebol, e escrever a minha própria história neste clube.
Tem tido uma carreira ascendente, inclusive em Portugal. Sente-se confortável com a responsabilidade e a pressão de lutar por títulos? Quando se chega a um clube em que o objetivo é sempre ser campeão, é motivador. Lutar para ser primeiro é uma sensação muito boa e espero que, no final do campeonato, possamos comemorar com os nossos adeptos.
TEMA DE CAPA # 15
O dia em que trocou a camisola com Otávio
Já se sabe que a vida dá muitas voltas e que o mundo consegue ser muito pequeno, inclusive o do futebol. Há pouco mais de três anos, a 23 de fevereiro de 2014, o Veranópolis, de Soares, recebeu o Internacional, de Otávio, em mais uma jornada do Campeonato Gaúcho. O encontro terminou com vitória para os da casa, por 1-0, e ditou a primeira derrota do emblema de Porto Alegre nesse Gauchão, graças a um golpe de cabeça de Soares, logo aos 13 minutos. No final da partida, o autor do único golo da tarde cumpriu um ritual perfeitamente comum e trocou a camisola com um jogador da equipa adversária. Esse jogador foi Otávio, titular no coletivo comandado na altura por Abel Braga, que em Portugal já treinou Rio Ave, Famalicão, Belenenses e Vitória de Setúbal. Mais recentemente, Soares e Otávio não se cruzaram por pouco no Vitória de Guimarães, mas o destino insistiu em juntá-los e hoje são companheiros de equipa no FC Porto.
REVISTA DRAGÕES fevereiro / março 2017