HÓQUEI EM PATINS
OUTUBRO 2026 REVISTA DRAGÕES
“ O meu grande objetivo como atleta é vencer um título pela seleção francesa. É algo que sonho desde miúdo e, nessa altura, diziamme que era impossível”. Foram estas as palavras de Carlo Di Benedetto na última grande entrevista que concedeu à Dragões, em março deste ano, para assinalar a renovação de contrato com o FC Porto. Sete meses depois, e através do stick do avançado, a ambição de todo o hóquei em patins francês tornou-se realidade. Com a braçadeira de capitão, Carlo não só marcou no tempo regulamentar como converteu duas grandes penalidades, entre as quais a decisiva, no desempate que permitiu à França tornar-se campeã do mundo pela primeira vez na história, batendo a Argentina de Ezequiel Mena na final. Pelo caminho, os franceses também deixaram para trás, nas meiasfinais, a seleção portuguesa, pela qual Hélder Nunes e Gonçalo Alves fecharam o percurso no Paraguai com o terceiro lugar.“ Foi incrível, ainda é difícil acreditar, para ser sincero”, admitiu Carlo Di Benedetto, regressado depois de uma longa viagem.“ São muitos anos a pensar neste título, que passou de um sonho inalcançável a uma possibilidade e, agora, concretizou-se. Foi o dia mais feliz da minha vida”, sublinhou o avançado e capitão francês, que não se escondeu na responsabilidade para decidir a final nas grandes penalidades.“ Estava muito sereno na hora de bater. Quando falhei o meu segundo penalti, disse logo que ia atirar de novo porque sabia que não tinha feito aquilo que tinha de fazer. A seguinte só tinha de entrar”. Habitual goleador de azul e branco, o internacional francês foi o melhor marcador do Mundial e por larga margem. Em seis partidas realizadas, Di Benedetto só não fez golo em duas, assinou um hat-trick diante da seleção das quinas e cinco remates certeiros no jogo inaugural frente ao Chile. No total, foram 11 golos, superando os sete de Hélder Nunes, o segundo melhor marcador do torneio.“ Tenho a sorte de ter os meus dois irmãos na equipa. São muitos anos a lutar juntos para alcançar este feito e podermos festejar juntos é incrível”. Com os pais também, que fizeram a viagem até ao Paraguai. Agora, de regresso ao Dragão Arena, Carlo Di Benedetto aponta para mais uma época de sucesso.“ Estou com muita vontade. Vamos ter de trabalhar muito e exigir o máximo de cada um de nós, porque temos equipa para atacar todos os títulos”. Campeão do mundo pela França e pelo FC Porto. Sempre de azul.
MUNDIAL PORTISTA
Dos seis Dragões presentes no campeonato do mundo, apenas um regressou da América do Sul com a medalha de ouro, mas todos os Dragões estiverem em destaque na prova. Sem exceção, estiveram presentes nas meias-finais, com a Espanha de Pol Manrubia e César Carballeira, que liderou o Grupo A, a ficar no quarto posto, depois dos portugueses Gonçalo Alves( 2) e Hélder Nunes, comandados pelo decacampeão português Reinaldo Ventura, terem marcado no triunfo luso por 5-3 que garantiu a medalha de bronze. Pelo meio, na segunda posição, ficou a Argentina de Ezequiel Mena. O capitão do FC Porto entrou para história ao apontar o golo 200 por Portugal, num percurso em que já somou mais de 150 internacionalizações e muitos títulos, entre os quais um Mundial e dois Europeus, à imagem de Hélder Nunes, que assinou sete golos nesta competição. César Carballeira, o único reforço para esta temporada, foi o segundo melhor marcador espanhol, com quatro golos, enquanto Manrubia fechou o pódio do país vizinho, com três. Na final, a Argentina de Ezequiel Mena – e de Reinaldo García, treinador adjunto- opôs-se à França de Carlo Di Benedetto e, com tons diferentes de azul, ambos brilharam no derradeiro encontro. O argentino desviou perto da baliza para colocar a seleção azul-celeste na frente, mantendo o objetivo vivo de que o feito de 2022 poderia ser repetido( também tinha marcado nessa final). Só que Carlo Di Benedetto não deixou, apontando o golo que, na altura, carimbou a reviravolta francesa, antes de faturar duas grandes penalidades no desempate decisivo. Fechado o capítulo do Campeonato do Mundo, os hoquistas estão de regresso ao Dragão Arena para preparar em definitivo a nova temporada, na qual o conjunto de Paulo Freitas ataca cinco frentes: Elite Cup, Taça Continental, Campeonato, Taça de Portugal e Liga dos Campeões, para a qual parte com o estatuto de detentor do título.
CAPITÃO E MELHOR MARCADOR DO MUNDIAL, CARLO DI BENEDETTO LEVOU A FRANÇA AO TÍTULO QUE SONHAVA CONQUISTAR DESDE MIÚDO. DE REGRESSO AO FC PORTO, A AMBIÇÃO MANTÉM-SE: GANHAR TUDO.
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