Dragões #479 Out 2026 | Page 57

FUTEBOL
OUTUBRO 2026 REVISTA DRAGÕES

Victor Froholdt chegou ao FC Porto com 19 anos e terminou a primeira época na condição de melhor jogador do campeonato. Entre uma coisa e outra, disputou as 34 jornadas, marcou seis golos, fez cinco assistências e foi figura de destaque da equipa que conquistou o título de campeão nacional. A presença entre os 25 finalistas do Golden Boy de 2026, prémio que distingue o melhor sub-21 a jogar na Europa, prolonga o reconhecimento do dinamarquês, que apresenta argumentos de quem já assumiu grandes responsabilidades. A lista divulgada pelo jornal Tuttosport a 5 de outubro coloca-o ao lado de nomes como Pau Cubarsí, Warren Zaïre-Emery, Ayyoub Bouaddi ou Estêvão. Froholdt chega a esta fase no sétimo lugar do índice elaborado em parceria com o Transfermarkt, depois de se ter mantido entre os dez primeiros ao longo do ano. É uma posição que traduz continuidade, porque, aos 20 anos, volta a ser finalista, depois de já ter integrado a seleção de 25 candidatos em 2025. A presença portista começou por ser mais ampla: na lista inicial de 100 candidatos, o FC Porto tinha cinco jogadores. Além de Froholdt e Rodrigo Mora, estavam nomeados Martim Fernandes, William Gomes e Oskar Pietuszewski. Cinco percursos que juntavam a formação do clube à descoberta de talento noutros países, com um ponto de encontro na equipa principal. Dois desses nomes chegaram agora à seleção final.

O peso do número 8 Os números contam uma parte importante da primeira temporada no Porto, mas há bastante futebol entre um golo e uma assistência. Froholdt ganhou espaço pela capacidade de aproximar setores, pressionar quem recebe a bola, dar uma linha de passe e aparecer na área. O movimento tem utilidade para os outros: permite à equipa recuperar mais depressa, avançar com apoio e encontrar um jogador onde, instantes antes, parecia não haver ninguém. Essa disponibilidade ajudou a transformálo numa referência da equipa de Francesco Farioli. Ainda em abril, depois da vitória no Estoril, o treinador explicava que o contributo do médio ia além do que antecipara:“ O que ele está a fazer e a dar à equipa vai além das nossas melhores expectativas”. A atenção aos detalhes, a humildade e a vontade de melhorar eram as qualidades que Farioli destacava para explicar uma adaptação tão rápida. O título confirmou a importância coletiva e os prémios de melhor jogador, melhor jovem e a inclusão no Onze do Ano reconheceram-na individualmente. Distinguir Froholdt entre os sub-21
AOS 20 ANOS, FROHOLDT CHEGA AOS FINALISTAS DO GOLDEN BOY COM UM CAMPEONATO CONQUISTADO E O ESTATUTO DE MELHOR JOGADOR DA LIGA PORTUGUESA. A IDADE PROMETE; O FUTEBOL JÁ CONFIRMA.
europeus faz, por isso, sentido também pela diferença entre a idade que tem e o peso que já suporta. O FC Porto encontrou num futebolista de 20 anos alguém a quem pode pedir intensidade e discernimento durante uma época inteira. A nova temporada já ofereceu outro exemplo. No clássico de 20 de setembro, depois de duas semanas afastado da competição, voltou ao onze e marcou o golo que repôs a vantagem sobre o Benfica. O FC Porto venceu por 3-1 e o dinamarquês foi eleito o melhor em campo. A chegada à área, no momento certo, deu uma expressão muito concreta à influência que tantas vezes exerce longe da baliza.
Crescer também fora do campo A facilidade com que se instalou no meio-campo não conta tudo sobre a mudança de país. Froholdt deixou o Copenhaga em julho de 2025, depois de sete anos num clube ao qual chegara aos 12. Já era internacional pela Dinamarca e levava 62 jogos e oito golos pela equipa principal. O passo seguinte exigia-lhe aprender outro campeonato, outra cultura e uma vida quotidiana sem as mesmas pessoas por perto.“ Na verdade, onde mais evoluí foi a nível humano”, reconheceu em junho, ao jornal dinamarquês Bold. Viver sozinho, criar relações e sentir-se em casa num país novo fizeram parte da adaptação. O futebol ajudou, porque correu bem desde o início, mas a autonomia também teve de ser aprendida: enquanto se tornava um dos jogadores mais influentes da liga, Froholdt aprendia a organizar a vida fora dela. Rodrigo Mora chega à mesma lista por um caminho diferente. Aos 19 anos, o jogador da Roma é o único português entre os finalistas e recebeu um dos cinco“ wild cards” da organização. A mudança para Itália, em agosto, acrescentou outra etapa a um percurso construído na formação portista, prolongado na equipa B e afirmado na equipa principal. A candidatura acompanha-o na nova camisola, com uma parte decisiva da sua história ainda escrita no Porto. Os dois nomes voltam, assim, a encontrar-se numa seleção internacional depois de terem partilhado a equipa campeã. Froholdt representa o presente do meio-campo azul e branco, Mora leva com ele o trabalho de formação e as oportunidades que encontrou no clube. A distinção aproxima percursos diferentes e reconhece o crescimento de dois jogadores que, há um ano, concorriam ao mesmo prémio com o mesmo emblema. A escolha final caberá a um júri de 50 jornalistas europeus e será anunciada em novembro. Dos 25 candidatos, 20 chegaram através do índice e cinco por convite. O nome de Froholdt está entre os primeiros por mérito acumulado, numa disputa que reúne alguns dos jovens mais influentes dos principais campeonatos. Até à decisão, terá a melhor forma de sustentar a candidatura à sua disposição: continuar a ser importante para o FC Porto.
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