FUTEBOL
OUTUBRO 2026 REVISTA DRAGÕES
William Gomes gosta de saber que o adversário sente a presença dele. Pode ser pela ameaça de um remate, pela velocidade com que se aproxima da área ou pela insistência com que procura recuperar uma bola. O extremo que terminou a primeira época completa no FC Porto como segundo melhor marcador da equipa encontrou outra forma de ser perigoso: perseguir quem tenta sair a jogar.“ Gosto de pressionar e de provocar esse medo ao adversário, fazê-lo sentir que tem de ter cuidado porque eu vou estar sempre por perto.” A renovação até 2031 dá tempo para aperfeiçoar ambas as tarefas. O novo contrato, anunciado a 8 de outubro, inclui uma cláusula de rescisão de 100 milhões de euros e acompanha uma mudança de estatuto que o campo já tinha tornado evidente. Aos 20 anos, William é campeão nacional, vencedor da Supertaça e autor do melhor golo da última edição da Liga. Começou a nova temporada como titular nos primeiros nove encontros oficiais, estreou-se na Liga dos Campeões e continuou a participar nos golos da equipa. O acordo prolonga uma ligação iniciada em janeiro de 2025, quando o FC Porto o contratou ao São Paulo. A estreia chegou depressa. Uma semana depois da contratação, William entrou no Estádio do Dragão para defrontar o Sporting. A adaptação demorou mais. Nos meses seguintes, conheceu quatro competições e marcou o primeiro golo no Mundial de Clubes, enquanto procurava espaço numa nova realidade. O próprio recorda esse período sem esconder as dificuldades:“ Os primeiros meses foram muito difíceis, mas sabia que era tudo uma questão de adaptação e que, na altura certa, iria estar preparado.” William preparou-se para responder quando a oportunidade surgisse, convencido de que o tempo lhe permitiria crescer. Hoje, associa a renovação à confiança que recebeu desde a chegada e que foi aumentando à medida que amadureceu.“ Tinha o desejo de renovar com o FC Porto, porque foi um clube que acreditou em mim quando ainda era muito jovem.” O sentimento de pertença também se consolidou, sente-se adaptado, confortável e feliz numa cidade que já considera uma das suas casas.
Ganhar espaço, dar resposta A chegada de Francesco Farioli acelerou a afirmação. O treinador italiano deulhe lugar de início no campeonato e na Liga Europa, e William respondeu com uma sequência de quatro jogos consecutivos a marcar. Um deles foi o clássico em Alvalade, de onde saiu o remate escolhido como o Melhor Golo da Liga Portugal. A distinção premiou um momento de inspiração numa temporada em que o brasileiro se habituou a ter influência nos resultados. Os números ajudam a medir essa importância. Em 46 jogos, somou mais de dois mil minutos, 13 golos e duas assistências. Ficou fora dos dez jogadores mais utilizados, mas só Samu marcou mais na equipa campeã nacional. William soube aproveitar o tempo que teve e, ao recordar a época, escolheu golos pelo efeito que produziram tanto quanto pela beleza: Sporting, Casa Pia, Arouca e Braga entraram nessa lista pessoal.“ Marquei alguns golos com peso”, resumiu. O crescimento passou também por zonas do campo onde raramente se escolhe o golo do ano. A capacidade de pressionar era um dos aspetos que queria melhorar e tornou-se uma parte importante do contributo para a equipa. William atribui essa evolução à exigência do treinador, ao apoio da equipa técnica e ao trabalho com o preparador físico Callum Walsh. Aprendeu a chegar mais vezes ao adversário, a incomodá-lo e a manter a intensidade. É uma evolução que André Villas-Boas fez questão de reconhecer no momento da renovação. O presidente destacou a entrega do extremo nos momentos ofensivo e defensivo e explicou que o prolongamento do vínculo foi decidido em sintonia com Farioli. O treinador considerou oportuno valorizar o empenho, o esforço e a dedicação de um jogador que corresponde às exigências da equipa e dos adeptos.“ Estamos contentes com o trajeto do William, por isso quisemos vê-lo reforçado.” O interesse de outros clubes também entrou nas palavras do presidente, acompanhado por uma certeza sobre a atitude do jogador:“ O seu compromisso com o FC Porto tem sido total.” A vontade comum facilitou um acordo rápido. Para o clube, era o reconhecimento do trabalho realizado; para William, um dos momentos mais felizes da carreira e a possibilidade de continuar num lugar onde se sente bem.
A mesma vontade A nova época prolongou os sinais da anterior. Depois da conquista da Supertaça, William contribuiu com dois golos e duas assistências para os triunfos frente a Arouca, Académico de Viseu e Moreirense. A titularidade nos primeiros nove jogos oficiais confirmou a confiança de Farioli e trouxe-lhe a estreia na Champions, com o Dragão cheio. A derrota retirou felicidade ao resultado, mas não apagou o significado pessoal de cumprir um sonho de criança. Dentro do grupo, a ambição convive com relações que ajudam a sustentá-la, como aquela que mantém com Pepê, um dos melhores amigos, com quem disputa espaço na mesma posição. William descreve uma concorrência sem vaidade, em que cada um quer jogar e deseja ver o outro evoluir. Essa disponibilidade para ajudar prolonga-se na forma como fala dos adeptos. Gosta de festejar com eles um golo ou uma bola cortada, reconhecendo na bancada a mesma reação que tem dentro do campo. Até 2031, o objetivo é acrescentar títulos, golos e assistências a um percurso que ganhou consistência. O brasileiro sabe que a confiança renovada traz novas exigências, mas promete responder como melhor sabe, a jogar, com a entrega que o trouxe até aqui:“ A melhor mensagem que posso deixar aos adeptos é a que deixo dentro de campo, com a minha vontade, a minha garra e os meus golos.”
WILLIAM CHEGOU À PROCURA DE ESPAÇO E RENOVOU DEPOIS DE O CONQUISTAR. AOS 20 ANOS, TEM GOLOS QUE DECIDIRAM JOGOS, TÍTULOS PARA RECORDAR E CONTRATO ATÉ 2031 PARA CONTINUAR A CRESCER.
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