Dragões #479 Out 2026 | Page 31

PEDRO MACHADO
TEMA DE CAPA
OUTUBRO 2026 REVISTA DRAGÕES
DEDICAÇÃO

No silêncio dos dias maus

Pedro Machado subiu ao palco em lágrimas. Aos 21 anos, levava com ele uma época de tratamentos, dor e dúvidas, mas também a memória de quem nunca o deixou sozinho. O Dragão de Ouro de Dedicação ficou nas mãos do jogador que festejou o título nacional depois de enfrentar uma doença oncológica. Nas palavras, couberam todos os que o ajudaram a chegar ali.

PEDRO MACHADO

A s lágrimas chegaram antes das palavras. Quando Pedro Machado recebeu o Dragão de Ouro de Dedicação, a emoção já dizia algo sobre o que lhe tinha custado estar naquele palco. Depois, o discurso permitiu conhecer um pouco mais.“ Quem nos vê do lado de fora, a competir e a dar o máximo, não sabe o que se passa nos bastidores.” Durante a época de 2025 / 26, uma doença oncológica alterou-lhe a vida. Aos treinos e aos jogos juntaram-se os tratamentos num ano que descreveu como“ extremamente difícil”. Falou de dúvida e de dor, de momentos que o testaram ao limite. Entre tratamentos, continuou a marcar presença nos treinos e a acompanhar a equipa de basquetebol do FC Porto. Manter essa ligação fazia parte da forma como enfrentava os dias. No final da temporada, festejou o título nacional com os companheiros. Na gala, ao recordar o caminho até àquela conquista e ao prémio que acabava de receber, Pedro escolheu falar sobretudo de quem tinha estado por perto.“ Se hoje estou aqui com este prémio nas mãos, é porque nunca estive sozinho.” Agradeceu à estrutura do clube, aos companheiros, ao staff e à equipa do IPO. Reuniu no mesmo reconhecimento quem partilhava com ele o quotidiano desportivo e quem o acompanhava nos cuidados de saúde.“ Nos dias menos bons, foram vocês o meu amparo, a minha força e essa vossa força e carinho empurraram-me para a frente.” A palavra equipa ganhara um sentido que Pedro fez questão de explicar:“ Vocês mostraram-me, na prática, o verdadeiro significado de equipa.” Também a ligação ao FC Porto o ajudou a atravessar aquele período. A resistência perante as dificuldades, tantas vezes invocada no desporto, tornara-se uma necessidade pessoal.“ Vestir esta camisola e carregar este símbolo foi a minha maior motivação para não desistir”, afirmou. Continuar próximo do grupo era também continuar próximo de uma parte da vida que a doença tinha interrompido. A dedicatória à família trouxe a frase mais íntima da noite. Agradeceulhe ter estado sempre com ele“ no silêncio dos dias maus” e acrescentou:“ Vocês sabem o quanto custou para chegar aqui.” Não precisou de contar mais. Quem o acompanhou conhecia o que ficava por dizer. Aos adeptos agradeceu o carinho e prometeu a mesma ambição de sempre. Era um jogador de 21 anos a falar do que ainda quer dar ao basquetebol e ao clube.

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