Dragões #479 Out 2026 | Page 29

CARLA OLIVEIRA
TEMA DE CAPA
OUTUBRO 2026 REVISTA DRAGÕES
MODALIDADES AMADORAS

Muito além do que sonhou

Carla Oliveira começou por contar a história de uma menina que deixou de conseguir imaginar o futuro e acabou a agradecer por tudo o que conquistou, com uma exceção bemhumorada: ser agente secreta do FBI. Pelo caminho, tornou-se número um mundial de boccia, atleta e funcionária do clube do coração.

CARLA OLIVEIRA

A menina da história tinha sonhos, mas houve uma altura em que alguns lhe pareceram perdidos. Se alguém lhe tivesse antecipado o que viria a conquistar, não teria acreditado. Carla Oliveira escolheu contar-se assim, na terceira pessoa, ao receber o Dragão de Ouro de Modalidades Amadoras. Deixou a revelação para depois, embora a plateia já pudesse adivinhar:“ Ah, a menina era eu, não sei se perceberam.” O humor acompanhou um discurso muito pessoal. Entre os sonhos concretizados, ficou um por cumprir( ser agente secreta do FBI), mas os restantes deram-lhe razões suficientes para olhar com orgulho para o percurso. Representa o FC Porto como atleta e funcionária, lidera o ranking mundial de boccia na categoria BC4 e, em 2026, sagrouse bicampeã europeia e conquistou a medalha de ouro na Taça do Mundo. O segundo Dragão de Ouro chegou no local onde, recordou a própria, tinha representado o clube pela primeira vez. A distância entre a incerteza daquela menina e as conquistas da mulher que subiu ao palco foi o fio condutor do discurso. Carla não a percorreu sozinha e quis dizer quem a ajudou. Começou pela mãe, um dos seus“ maiores pilares”, que nunca a deixou desistir e a quem atribuiu a ligação ao desporto, agradeceu ao marido a companhia nas vitórias e nas derrotas, acrescentando, com graça, que estas,“ apesar de serem poucas, às vezes acontecem”, à filha chamou“ a maior conquista” e à irmã“ mais um sonho tornado realidade”. No clube, os agradecimentos percorreram a estrutura, a equipa técnica e o departamento médico, com uma atenção particular às“ Joanas” da vida dela: Joana Teixeira, responsável pela secção; Joana Manuel, pelo“ trabalho invisível” com tanto impacto; e Joana Silva, treinadora de“ uma dedicação fora de série”. Aos colegas de equipa reconheceu mérito para ocuparem aquele lugar no palco.“ Muitos deles podiam estar aqui a receber um Dragão”, afirmou, sublinhando os resultados do boccia portista a nível nacional e internacional. Depois dos familiares, dos amigos e dos responsáveis do clube, reservou as últimas palavras para a fé. Agradeceu a Deus pelas conquistas e,“ em especial”, por a ter feito portista. A menina que não conseguia ver o futuro tinha acabado de contar uma história que, nessa altura, lhe teria parecido impossível.

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